quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Infância – Brincadeiras


Exercícios de ser criança

No aeroporto o menino perguntou: – E se o avião tropicar num passarinho? O pai ficou torto e não respondeu. O menino perguntou de novo: – E se o avião tropicar num passarinho triste? A mãe teve ternuras e pensou: será que os despropósitos não são mais carregados de poesia do que o bom senso? Ao sair do sufoco o pai refletiu: – Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças. E ficou sendo (Barros, 1999, p. 469).

Brincadeiras
Manoel de Barros

No quintal a gente gostava de brincar com as palavras
mais do que de bicicleta.
Principalmente porque ninguém possuía bicicleta.
A gente brincava de palavras descomparadas. Tipo assim:
O céu tem três letras
O sol tem três letras
O inseto é maior.
O que parecia um despropósito
para nós não era despropósito.
Porque o inseto tem seis letras e o sol só tem três
logo o inseto é maior. (Aqui entrava a lógica?)
Meu irmão que era estudado falou quê lógica quê nada
Isso é um sofisma. A gente boiou no sofisma.
Ele disse que sofisma é risco n'água. Entendemos tudo.
Depois Cipriano falou:
Mais alto do que eu só Deus e os passarinhos.
A dúvida era saber se Deus também avoava
Ou se Ele está em toda parte como a mãe ensinava.
Cipriano era um indiozinho guató que aparecia no
quintal, nosso amigo. Ele obedecia a desordem.
Nisso apareceu meu avô.
Ele estava diferente e até jovial.
Contou-nos que tinha trocado o Ocaso dele por duas andorinhas.
A gente ficou admirado daquela troca.
Mas não chegamos a ver as andorinhas.
Outro dia a gente destampamos a cabeça do Cipriano.
Lá dentro só tinha árvore árvore árvore
Nenhuma idéia sequer.
Falaram que ele tinha predominâncias vegetais do que platônicas.
Isso era.


MANOEL DE BARROS, EM MEMÓRIAS INVENTADAS: A INFÂNCIA



“ (...) verifica-se que o texto literário não se limita a descrever o mundo ao qual se refere. A ficção elaborada por Manoel de Barros, ao afastar-se das normas tradicionais da linguagem, parece criar uma realidade que ganha existência e diz o mundo. Em outras palavras, reconhece-se que o poeta opera com recursos inusitados da linguagem, imprimindo-lhe contornos literários e filosóficos por meio da transgressão em relação aos padrões convencionais da narrativa. Isto posto, trata-se, com Manoel de Barros, de acompanhar uma narrativa híbrida, entre prosa e poesia, que força a linguagem a se voltar para um movimento sobre si mesma, a transgredir. (...)”

Brincadeiras

No quintal a gente gostava de brincar com palavras mais do que de bicicleta. Principalmente porque ninguém possuía bicicleta. A gente brincava de palavras descomparadas. Tipo assim: O céu tem três letras, o sol tem três letras, o inseto é maior. O que parecia um despropósito. Para nós não era despropósito. Porque o inseto tem seis letras e o sol só tem três. Logo o inseto é maior. (Aqui entrava a lógica?). Meu irmão que era estudado falou quê lógica quê nada. Isso é um sofisma. A gente boiou no sofisma. Ele disse que sofisma é risco n’água. Entendemos tudo (Barros, 2003, s.p.).

Infância: entre história e “despropósitos”

Um livro, uma página de livro apenas, por menos ainda, uma simples gravura em um exemplar antigo, herdado talvez da mãe ou da avó, poderá fertilizar o terreno no qual a primeira e delicada raiz desse impulso começa a se desenvolver (Benjamin, 1984, p. 48).

“(...) a realidade deve ser lida nos mínimos detalhes, nos pequenos gestos, pois o fragmento o todo contém, sendo a possibilidade de sua apreensão o instante de um relâmpago. Considerando uma bela imagem escrita pelo filósofo, lembro que: (...)”

Quem pretende se aproximar do próprio passado deve agir como um homem que escava. Antes de tudo, não deve temer voltar sempre ao mesmo fato, espalhá-lo como se espalha a terra, revolvê-lo como se revolve o solo. Os fatos nada são além de camadas que apenas à exploração mais cuidadosa entregam aquilo que recompensa a escavação. E se ilude, privando-se do melhor, quem só faz o inventário dos achados e não sabe assimilar no terreno de hoje o lugar no qual é conservado o velho (Benjamin, 1987, p. 239).



Literatura e infância: entre filosofia, história e “despropósitos” Márcia Cabral da Silva1

A literatura pode ser definida como exercício criativo que ocorre por intermédio da palavra. Trata-se da possibilidade de transfiguração do real em matéria fictícia. Nesta chave, retoma-se a esfera criativa que dialoga com o estranhamento, com a indagação e, por assim dizer, com a dimensão filosófica da linguagem.

Benjamin (1984, 1987) já tratava em seus ensaios dos livros infantis e questionava a função instrumental que adquiriram nas sociedades industrializadas. Tecia severa crítica em relação à utilidade dos livros ficcionais infantis, ao empobrecimento das ilustrações, de um lado. De outro, apontava a inexorável aproximação dos livros infantis das gramáticas orientadas pelos pedagogos. Todavia, os seus escritos convidariam, por outro viés, à indagação: como reencontrar o caráter artesanal de um objeto que passara a responder ao pragmatismo, à utilidade de todas as coisas, tal como os demais objetos que deveriam atender em primeiro lugar a uma lógica da produção no desenvolvimento das sociedades capitalistas? Nesse sentido, o caráter artístico e o convite à imaginação criadora haviam sido transferidos a um segundo plano?

Em uma chave semelhante, Vygotsky (1987) apontava para a importância da imaginação e da arte no período que se convencionou denominar infância. Segundo o autor, fantasia e realidade consistiriam em dimensões complementares, e não polos excludentes, como se costuma indicar na educação das crianças. Ademais, segundo essa linha de consideração, na vida diária, seria possível exercitar plenamente a imaginação criadora.

Neste artigo, retomam-se algumas dessas reflexões no âmbito da relação entre literatura e infância. Se a experiência e a história são derivadas da fratura entre a infância do homem e a emergência da linguagem, na perspectiva filosófica indicada por Agamben (2005), como essa fratura ocorreria na literatura? Em que condições a linguagem literária permitiria ascender à história e à experiência? Essas são algumas questões gerais sobre as quais se busca refletir neste estudo. Trata-se de pensar sobre a dimensão filosófica da linguagem em diálogo com obras literárias contemporâneas que trazem ao primeiro plano a infância. De um lado, desenvolve-se uma reflexão sobre a relação ficção e infância, com especial acento na produção protagonizada por personagens crianças. De outro, ressalta-se a análise de estratégias literárias capazes de causar estranhamento em relação ao caráter descritivo e comunicativo da linguagem cotidiana. Com vistas a desenvolver o estudo, privilegiam-se as seguintes obras: Exercícios de ser criança (1999) e Memórias inventadas: a infância (2003), de Manoel de Barros.

1 Doutora em teoria e história literária e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: marciacs@ism.com.br



Guató


Jovem Guató, atravessando de canoa a baía Uberaba. Foto: Suki Ozaki, 2006


Os Guató, considerados o povo do Pantanal por excelência, ocupavam praticamente toda a região sudoeste do Mato Grosso, abarcando terras que hoje pertencem àquele estado, ao estado de Mato Grosso do Sul e à Bolívia. Podiam ser encontrados nas ilhas e ao longo das margens do rio Paraguai, desde as proximidades de Cáceres até a região do Caracará, passando pelas lagoas Gaíba e Uberaba e, na direção leste, às margens do rio São Lourenço. No interior deste vasto território sua presença foi registrada desde o século XVI por viajantes e cronistas.

MARTINS, Maria Helena. O que é leitura.
Coleção Primeiros Passos. São Paulo: Brasiliense, 2003.

Já no início, a autora busca ampliar o conceito de leitura que está muito limitado à decodificação de palavras, pois o leitor, no seu sentido mais amplo, surge muito antes de aprender a decodificar as palavras escritas, uma vez que as coisas que nos rodeiam podem ser lidas, como por exemplo: os gestos, os sons, alguns objetos em diferentes contextos, etc. Para fazer essas leituras não há necessidade de a pessoa estar ou ser alfabetizada, basta interpretar e dar algum sentido ou significado ao que a cerca. Rita de Cássia Garcia Silva COELHO







Referências
http://manualdebarros.blogspot.com.br/2010/08/infancia-brincadeiras.html
http://www.scielo.br/pdf/elbc/n46/2316-4018-elbc-46-00197.pdf
http://img.socioambiental.org/d/312016-1/Guat__+013.jpg
http://www.scielo.br/pdf/elbc/n46/2316-4018-elbc-46-00197.pdf
file:///D:/Usu%C3%A1rio/Documents/luisa/Modelo%20TCC%20definitivo@hotmail_files/REV.CIENTIFICA.FCARP.N1.pdf

Verdade Real


Aécio Neves vira réu no STF por corrupção e obstrução da Lava Jato

Agora sou a prova viva de que nada nessa vida
É pra sempre até que prove o contrário
Paula Fernandes


Poder instrutório do juiz: a busca da verdade real no novo CPC
Mote velho em discussão sob a égide do novo CPC.

Publicado por Éverton Raphael Motta Reduit

No Direito Processual brasileiro, o juiz deve buscar a verdade real, isto é, procurar conhecer os fatos tão como, efetivamente, ocorreram, a fim de, assim, dizer o direito à questão posta em causa. Visa-se, em verdade, a prestação de uma tutela jurisdicional adequada, a resposta jurisdicional à demanda de forma efetiva e qualificada, não podendo o juiz ser mero espectador durante o trâmite da ação judicial, podendo-se valer dos poderes instrutórios concedidos pela legislação, de modo que possam ser aclarados os fatos controvertidos e, desse modo, de forma qualificada e equânime, ser dito o Direito.

Consoante Marinoni, Arenhart e Mitidiero, na obra “O Novo Processo Civil”, publicado pela Revista dos Tribunais, São Paulo-SP, 2015, “o juiz tem o poder – de acordo com o sistema do Código de Processo Civil brasileiro –, quando os fatos não lhe parecerem esclarecidos, de determinar a prova de ofício, independentemente de requerimento da parte ou de quem quer que seja que participe do processo, ou ainda quando estes outros sujeitos já não têm mais a oportunidade processual para formular esse requerimento.” (pag. 269). Asseveram, outrossim, que “se o processo existe para a tutela dos direitos, deve-se conceder ao magistrado amplos poderes probatórios para que possa cumprir sua tarefa” (pags. 269/270).

Por sua vez, Trícia Navarro Xavier, no artigo “O ‘Ativismo’ do Juiz em Tema de Prova”, publicado pela Revista do Processo, vol. 159/2008, da Revista dos Tribunais, deixa claro que o poder instrutório do juiz não viola a imparcialidade, pois, ao determinar a produção da prova, o magistrado não conhece o seu resultado, logo, não tem ciência, a priori, de quem a prova beneficiária. Ressalta que, sendo necessária a prova, não a determinando, prejudicando, assim, uma das partes, poder-se-á falar em parcialidade, porém, valer-se do seu poder instrutório não perfectibiliza qualquer violação à imparcialidade que deve pautar o julgador.

Por conseguinte, forte no princípio da verdade real, bem como com a finalidade precípua do Poder Judiciário de exercer o seu múnus público – dizer o direito de forma qualificada –, quando julgar necessário esclarecer os fatos para o julgamento da demanda, o juiz poderá determinar a realização de provas no processo ex officio.

Verifica-se que os poderes instrutórios do juiz são subsidiários. Primeiramente, as partes, na fase postulatória, indicam as provas que serão produzidas para provarem os fatos que sustentam e já apresentam a prova documental – pelo autor em anexo à exordial e pelo réu em anexo à contestação – e, após encerrada a fase postulatória, o juiz oportuniza às partes a formulação do pedido de provas de provas – pericial, inspeção judicial, depoimento pessoal da parte adversa, oitiva de testemunha, entre outras. Realizadas e produzidas as provas postuladas pelas partes – que sejam úteis e não sejam protelatórias –, (i) não sendo suficientes para esclarecer os fatos discutidos na demanda, ou (ii) não postulada pelas partes provas necessárias ao deslinde do feito, o juiz ex officio pode determinar as provas que são necessárias para julgar o caso, podendo, por exemplo, ouvir testemunha não arrolada, realizar inspeção judicial, determinar prova pericial, etc.

Nesse diapasão, o juiz não é apenas mais o destinatário da prova, mas também tem papel ativo no que tange à produção probatória, podendo, quando julgar necessário, determinar, de oficio, a produção de provas.

Nesse contexto, inclusive, o juiz pode ouvir testemunhas arroladas mesmo que intempestivamente pela parte interessada. Sendo necessária a oitiva de testemunha arrolada de forma intempestiva, deverão ser ouvidas pelo juiz, sob pena de cerceamento de defesa e de ser exarada sentença nula. Somente se a oitiva da testemunha for desnecessária para a solução do litígio, poderá ser indeferida pelo i. Julgador, de forma fundamentada, mas não pela intempestividade do arrolamento do rol de testemunhas. Interessante citar, inclusive, Marinoni, Arenhart e Mitidiero, in verbis:

Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum não superior a quinze dias para que as partes apresentem rol de testemunhas (art. 357, § 4.º). Tendo havido designação de audiência para organização do processo, as partes têm de nela consignar o rol de testemunhas (art. 357, § 5.º). Contudo, haja vista a necessidade de abrir o processo para o maior acervo probatório possível, com o que se incrementa a busca pela verdade das alegações de fato e a possibilidade de produzir uma decisão justa, dificilmente pode se entender que a ausência de apresentação de rol em audiência gera preclusão do direito de produzir prova testemunhal.[1]

De outra banda, os princípios processuais sempre incidem e devem ser harmonizados aos casos postos em causa. Diante do caso concreto, pode ser necessário harmonizar princípios aplicáveis ao Processo Civil, preponderando um princípio naquele caso, mas com certa limitação pelos demais princípios incidentes. Como destaca Norberto Bobbio, diferentemente das regras processuais, em que uma exclui a aplicação da outra ao caso posto em causa, os princípios não se excluem, sendo ponderáveis e harmonizados, preponderando, no caso concreto, um princípio mais que outro, um princípio com certas limitações impostas pelos demais. Nessa toada, o juiz têm poderes instrutórios, no entanto, devem estes ser compatibilizados com outras normas processuais, sob pena de ser perfectibilizado error in procedendo, como destaca Trícia Navarro Xavir, e serem proferidas sentenças nulas, na obra acima referida – “O ‘Ativismo’ do Juiz em tema de prova”.

Nessa senda, o princípio da demanda, a paridade de armas, o princípio do contraditório e da ampla defesa, a delimitação do objeto litigioso, o princípio da carga dinâmica das provas, entre outros, devem ser observados pelo julgador, quando da sua utilização do poder instrutório.

O juiz considerando necessário esclarecer um fato controvertido relevante ao deslinde do feito, por exemplo, deve observar o princípio da igualdade de armas, isto é, que às partes é assegurada a igualdade de tratamento no processo e de mecanismos processuais para tutelarem suas pretensões forte na isonomia processual, sendo vedadas as decisões surpresas – art.  do CPC/2015 –, bem como determinações pelo juiz que violem a igualdade processual dos litigantes.

De outra banda, o juiz ao determinar a realização de provas, deve observar as regras esculpidas no art. 373 do CPC/2015, bem como, em caso de inversão do ônus da prova, deve observar os requisitos exigidos para tanto – art. 373§§ 1º, do CPC/15 –, não podendo, por exemplo, a decisão que inverteu o ônus da prova ser destituída de fundamentação e estabelecer prova diabólica – impossível da parte se desincumbir da sua produção.

Outro princípio relevante a ser observado pelo julgador diz respeito ao princípio da demanda. Com efeito, a regra geral é de que o processo é iniciado por iniciativa das partes e desenvolve-se por impulso processual. Logo, uma vez que o processo se desenvolve por impulso processual e deve o juiz dizer o direito ao caso concreto, prestando a tutela jurisdicional de forma qualificada, os poderes instrutórios pelo juiz não acarretam violação ao princípio da demanda, pois não enseja que o juiz, de ofício, deflagre o processo (inércia da jurisdição), bem como, por óbvio, as provas determinadas pelo julgador devem observar os contornos da demanda estabelecido pelas partes, sendo vedado ao juiz julgar questões não suscitadas pelas partes, a cujo respeito a lei exija iniciativa dos litigantes, sob pena de nulidade da decisão extra, ultra ou citra pretita, forte no art. 140 do CPC/15.

Com efeito, deflagrada a lide por iniciativa da parte e delimitada a demanda na fase postulatória, o objeto litigioso, o juiz poderá determinar as provas necessárias para esclarecer os fatos relevantes para julgar o mérito nos limites propostos pelas partes. Portanto, sob pena de incorrer em error in procedendo e, também, de exarar decisão nula, o juiz não determinará provas de fatos que não guardem relação com a demanda, assim como não julgará questões não compreendidas dentro dos limites fixados pelas partes, nem se valerá de circunstâncias e fatos não constantes nos autos – “o que não está nos autos não está no mundo”.

Em suma, o poder instrutório do juiz, assim como qualquer ato do magistrado, deve observar o princípio da paridade de armas e o princípio da demanda, não constituindo a possibilidade do juiz determinar provas no processo em si uma violação à paridade de armas e ao art.  e art. 140, ambos do Código de Processo Civil.

[1] [1] Marinoni, Luiz Guilherme; Arenhart, Sérgio Gruz; Mitidiero, Daniel; O Novo Processo Civil. Revista dos Tribunais: São Paulo, 2015, pág. 254.



Pós-verdade e política
Charles Feitosa
19 de julho de 2017

Onde não há fatos, nada é verdade – O que Trump tem a ver com Nietzsche, Foucault ou Derrida? A resposta para o título desse texto é simples e cristalina como água que jorra da fonte: nada, mas nada mesmo. Mesmo assim ocorre no noticiário político e na internet volta e meia a associação, completamente indevida por sinal, entre as estratégias midiáticas de desinformação de Trump e os esforços de desconstrução das grandes narrativas da verdade pelos filósofos ditos “pós-modernos”.

Por exemplo, a famosa afirmação de Nietzsche, em um fragmento de 1887, de que “não existem fatos, apenas interpretações”, costuma ser escutada na filosofia como um alerta crítico de que a verdade não é única, nem definitiva, nem imutável, mas precisa ser continuamente discutida e tematizada. No contexto político atual a frase está sendo relida, ao contrário, como se fosse a legitimação para os estados de “tanto faz” ou de “liberou geral” reinantes, pois onde não há fatos, nada é verdade.

Um sinal sutil dessa tendência é o uso da palavra “pós-verdade” como se fosse o ponto de interseção entre política e filosofia na contemporaneidade. O termo “pós-verdade” é conhecido pelo menos desde os anos 90, mas se tornou especialmente popular em 2016, tendo sido escolhida a palavra do ano pela equipe do Oxford Dictionaries.

A pós-verdade costuma ser definida brevemente como uma estratégia de desvalorização dos fatos em prol de interesses pessoais. Também chamada de fake news (notícias falsas), várias amostras da pós-verdade na política costumam ser citadas, tais como as estatísticas fictícias divulgadas na campanha do Brexit em 2016 sobre os altíssimos custos para permanecer na comunidade europeia ou os rumores conspiratórios sobre a origem muçulmana extremista do ex-presidente dos EUA, Barack Obama.

No Brasil, são também inúmeros e infindáveis os exemplos: os boatos em torno de uma suposta encenação da morte de Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula ou mais recentemente, a afirmação do atual prefeito de São Paulo de que os manifestantes da greve geral de 28.04.17 estariam recebendo dinheiro para irem às ruas.

Mas o grande garoto-propaganda da pós-verdade continua sendo Donald Trump. Em episódio emblemático, seus assessores, ao serem questionados sobre o número exato de pessoas que assistiram a posse presidencial em janeiro de 2017, alegaram que não estavam mentindo quando insistiam, a despeito de indícios contrários, que tinha mais gente na posse de Trump do que na de Obama em 2009, mas sim apenas apresentando “fatos alternativos”.

Onde não há fatos, não existe verdade única – Por que chamar essas formas midiáticas de manipulação de textos ou imagens como pós-verdade? A escolha do termo não é neutra, trata-se de uma interpretação que é ao mesmo tempo uma acusação. Tudo se passa como se a “pós-verdade” fosse a verdade típica dos tempos “pós-modernos”.

A própria expressão “pós-moderno” tornou-se muito frequente nos últimos trinta anos, tanto na imprensa, como na vida cotidiana. Falou-se muito e indistintamente de sociedade pós-moderna, de amor pós-moderno ou ainda de doenças pós-modernas. Trata-se de um conceito guarda-chuva, cujo uso inflacionário oculta a falta de clareza acerca de seu significado.

Etimologicamente o prefixo “pós” indica uma determinada fase histórica: não vivemos mais na modernidade, mas sim “depois”. Entretanto, o significado desse “depois” ainda é estritamente ambíguo e polêmico, podendo indicar tanto um “extra-“, um “anti-”, ou ainda como um “ultra-moderno”.  É preciso, antes de tudo, ter o cuidado de distinguir uma condição “pós-moderna” de um pensamento pós-moderno. Por condição pós-moderna entende-se, quer a celebremos ou a lamentemos, nossa situação histórica de viver e morrer na virada do século 20 ao 21.

Por pensamento pós-moderno, entretanto, entenda-se estritamente uma estratégia específica de lidar com essa condição, consolidada com a publicação em 1979 do livro La condition postmoderne de autoria do filósofo francês Jean-François Lyotard (1924-1998). Para Lyotard, o projeto dos modernos de liberar a humanidade da ignorância e da miséria produziu, ao contrário, sociedades que permitem o imperialismo, a guerra, o desemprego, a tirania da mídia e o desrespeito à vida humana em geral.

Contra a lógica da razão e do mercado seria preciso inventar outras lógicas, norteadas pelo reconhecimento do dissenso (a irredutível diversidade dos jogos de linguagem nas culturas) e por uma revalorização da dimensão estética. Em um tempo em que não é possível mais um discurso único e definitivo sobre o que é bom, justo ou verdadeiro, Lyotard propõe a emergência do pensamento pós-moderno, cuja característica fundamental é a afirmação das diferenças e do pluralismo.

Dentro desse contexto seria muito mais pertinente reconquistar o sentido mais original e positivo do termo “pós-verdade”, enquanto um esforço anti-dogmático de promover a pluralização e diversificação dos saberes. Então aqui cabem as seguintes perguntas: Isso a que se hoje se nomeia “pós-verdade”, não seria apenas uma nova fachada para um fenômeno bem antigo, a saber, a mentira na política? Não foi sempre assim, na história dos gestores políticos, manipular informações para se manter no poder? Ou será que há alguma diferença fundamental entre as mentiras tradicionais dos homens de estado e a onda contemporânea de desvalorização da verdade?

De fato, já desde Platão sabemos que a mentira não é apenas um incidente ocasional na vida política, mas é ela mesma um dos recursos disponíveis aos governantes na difícil e inglória tarefa da administração das cidades. Na descrição da sua utopia, a despeito do compromisso de cada cidadão de sempre buscar e defender a verdade, Platão argumentava que seus dirigentes, somente eles, teriam a permissão de mentir, pois a mentira, se usada adequadamente, pode contribuir para a realização do bem-estar comum.

Onde não há fatos, tudo é verdade – Desde então a ideia da mentira na política como um remédio amargo, mas necessário, se consolidou no nosso imaginário. Há exatamente 50 anos atrás, em 25 de fevereiro de 1967 na The New Yorker, a genial filósofa judia de origem alemã Hannah Arendt publicou um texto paradigmático sobre o tema, intitulado Verdade e Política (em relação ao qual o título do meu presente texto faz referência e reverência).

Arendt começa chamando de “lugar comum” a crença na incompatibilidade insuperável entre verdade e política, mas ao mesmo tempo ela extrai desse lugar comum uma pergunta incômoda,  que nos obriga a pensar: Será da própria essência da verdade ser impotente e da própria essência do poder enganar? A resposta de Arendt é complexa, pois se de um lado ela defende uma certa potência inerente à verdade de incomodar e questionar as tiranias, por outro lado ela também admite um certo uso tirânico das verdades absolutas, pois geralmente é em nome delas que se instalam discursos e práticas totalitárias.

Mas o mais importante é que Arendt defende que a natureza da verdade é essencialmente política, ou seja, “é sempre relativa a várias pessoas: ela diz respeito a acontecimentos e circunstâncias nos quais muitos estiveram implicados; é estabelecida por testemunhas e repousa em testemunhos; existe apenas na medida em que se fala dela, mesmo que se passe em privado”. Se a verdade é essencialmente política ela pode ser ameaçada pelas mentiras estratégicas dos poderosos e precisa continuamente ser defendida e conquistada com o máximo de questionamentos e debates públicos.

O que mais me interessa no texto de Arendt é sua tese de que, mesmo reconhecendo uma tensão estrutural entre verdade e política, existe uma mudança no modo clássico e contemporâneo do uso da mentira na disputa pelo poder.  A mentira clássica era dirigida estrategicamente para este ou aquele grupo de inimigos e por isso poderia ser facilmente detectada pelos historiadores como uma espécie de buraco ou de falha na rede dos acontecimentos.

O problema é que segundo Arendt a contemporaneidade é marcada por uma forma de “mentira organizada”, uma aliança entre os meios de comunicação e os regimes totalitários, onde toda a matriz da realidade pode ser falsificada através das estratégias midiáticas de manipulação em massa. O resultado não é mais apenas a substituição da verdade pela mentira, mas a paulatina destruição na crença em qualquer sentido que nos oriente pelo mundo. Em outras palavras, a mentira organizada contemporânea conduz a um cinismo niilista, uma recusa em acreditar na verdade de qualquer coisa. A descrença é a desistência da tarefa de fazer qualquer avaliação. Algo parecido acontece quando, no Brasil de hoje, se diz que todos os políticos são corruptos, como se não houvessem aí distinções mais finas ainda a serem feitas.

Onde não há fatos, há verdades em demasia – Talvez não possamos mais chamar de mentira essa versão sistêmica e explícita, onde todos estão sendo enganados ao mesmo tempo. Mas ao meu ver, “pós-verdade” também não é o nome mais adequado. Talvez o mais correto seria falar de hiper ou ultra-verdade, pois vivemos em uma época em que todos se sentem no direito de dizer qualquer coisa, seja nos discursos políticos ou nas redes sociais, embasados em dados fictícios ou não, mas garantidos pela crença tácita de que “tudo vale” e pela recepção acrítica da maioria dos tele-expectadores e internautas.

Quando há verdades em demasia o perigo não é mais apenas, como diz Arendt, a descrença generalizada na realidade, mas a sua contrapartida, a revalorização reativa, nostálgica e muitas vezes enceguecida dos fatos, como se eles existissem em algum lugar objetiva e efetivamente e pudessem funcionar como uma pedra de toque nas nossas falas.

Um sintoma dessa súbita revalorização dos fatos em si é a prática cada vez mais difundida de facts checking dos discursos políticos na internet. Embora seja muito saudável desvelar as falsas estatísticas citadas pelo MBL ou por Trump, é sempre bom lembrar aquela frase do Nietzsche citada do início desse texto, para não cair na armadilha inversa de achar que alguém tem o poder definitivo e inquestionável de dizer o que são os fatos.

Existem divergências de interpretações até mesmo entre os diferentes fact-checkers. Não podemos nunca deixar de nos perguntar criticamente quem são e como o fazem, estes que assumiram para si a tarefa de controlar a veracidade dos discursos dos outros. Avaliar continuamente não só os discursos, mas também os avaliadores e os próprios instrumentos de avaliação, é a tarefa política constante daqueles que ainda tem respeito pela liberdade e pelo pensamento. Isso inclui também o exercício da autoavaliação, pois a pós-verdade, entendida aqui não como a “não-verdade”, mas como a “verdade pluralizada e sob constante tematização”, exige sempre e de cada vez mais e melhores interpretações. Em suma, abaixo Trump e viva Nietzsche!

Charles Feitosa é Doutor em Filosofia pela Universidade de Freiburg i.B./Alemanha; professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) da UNIRIO



Míriam Leitão: Mentiras convenientes na era da pós-verdade

Na era da pós-verdade, é bom o retorno a algumas realidades: a ex-presidente Dilma provocou surto inflacionário, recessão e desrespeitou as leis fiscais. Mereceu o impeachment que sofreu. Seu vice foi escolhido por quem formou a chapa e votou nela. Dilma e Temer são frutos da mesma escolha partidária e eleitoral. Criticar um não é apoiar o outro, e vice-versa.

O ex-presidente Lula, que escolheu Dilma sem ouvir o partido, usando seu poder majestático, diz agora que o povo se sentiu traído quando ela fez o ajuste fiscal e quando aprovou as desonerações para as empresas. Está querendo se descolar da ex-presidente, que deixou o governo com baixo nível de popularidade. Como a aprovação do presidente Temer é ainda mais baixa, muita gente esqueceu que ela chegou a ter apenas 10% de ótimo e bom.

Lula conhece esses números e estava esperando um bom momento e lugar para fazer essa separação de corpos entre ele e a sua sucessora. Escolheu um jornal estrangeiro, para ter menos contestações às suas invenções. Escolheu criticar dois pontos que acha que são antipáticos: o ajuste fiscal e a transferência de dinheiro para empresários. Ajuste, como as dietas, ninguém gosta de fazer. É apenas necessário quando há um descontrole como o criado pela Dilma. Ela recebeu o país com 3,5% do PIB de superávit primário, entregou com 2,4% de déficit e colocou a dívida pública numa rampa na qual ela continua subindo.

Parte desse desarranjo foi consequência das desonerações e subsídios para os empresários. Lula agora diz que foi um erro. Mas foi ele que começou a política junto com o seu ministro Guido Mantega. Dilma manteve o ministro e aprofundou as medidas. Foi no governo Lula que começaram as transferências para o BNDES, a ideia de recriar os campeões nacionais, os subsídios, o uso dos bancos públicos e tudo aquilo que favoreceu empresários em geral, e alguns em particular, como Joesley Batista, Eike Batista e Marcelo Odebrecht.

Temer conspirou abertamente contra Dilma, mas foi ela que criou o ambiente que desestabilizou seu governo, quando provocou um choque inflacionário e uma queda livre do PIB. É difícil um governo sobreviver a essa dupla. Foi eleita mentindo sobre a situação da economia, com a ajuda dos magos em efeitos especiais João Santana e Monica Moura, que montaram um país cenográfico. Quando a verdade apareceu, sua aprovação despencou e sua base se esfarinhou. Foi nesse ambiente que a conspiração de Temer teve espaço. E ocorreu dentro do grupo que estava no poder. A ex-presidente detestava o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, mas deu a ele acesso direto ao dinheiro do trabalhador, no FI-FGTS.

Geddel Vieira Lima e seus 51 milhões de “dinheiros” não traiu ninguém. Serviu a vários senhores. Esteve sempre perto dos governos, é íntimo do presidente Temer, mas teve cargos poderosos nos governos Dilma e Lula. Foi ministro de Lula e teve uma vice-presidência da Caixa no governo Dilma. As malas e caixas de Geddel apareceram mais de três anos depois de iniciada a mais ampla operação de combate à corrupção. É por isso que o juiz Sérgio Moro diz que não está julgando o problema da altura da saia, mas sim a corrupção. É com criminosos seriais que o país está lidando.

Vários deputados petistas votaram contra Temer afirmando estar fazendo isso porque são contra a reforma da Previdência. O ex-presidente Lula também fez uma reforma da Previdência, que levou inclusive um grupo a sair do partido e formar o PSOL. A ex-presidente Dilma prometeu fazer uma reforma e aprovou mudanças no pagamento das pensões das viúvas jovens. Qualquer um que governar o Brasil terá que enfrentar esse desequilíbrio. O relatório da CPI da Previdência dizendo que o déficit não existe é tão verdadeiro quanto uma nota de três reais.

Muitos dos deputados que foram ao microfone gritar contra a corrupção de Temer sustentam que as acusações feitas ao ex-presidente Lula e outros petistas são falsas e fruto da perseguição que eles sofrem do juiz Sérgio Moro e dos procuradores. A mentira e a manipulação passaram a ser a ordem do dia. São a pós-verdade dos tempos atuais ou a velha mentira conveniente.
(Com Alvaro Gribel, de São Paulo)



Significado de Verdade

O que é Verdade:
Verdade significa aquilo que está intimamente ligado a tudo que é sincero, que é verdadeiro, é a ausência da mentira.


Verdade

Citações


Saramago , José
O tempo das verdades plurais acabou. Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias.

Tabu/Sol (2008)


Sábato , Ernesto
Creio que a verdade é perfeita para a matemática, a química, a filosofia, mas não para a vida. Na vida contam mais a ilusão, a imaginação, o desejo, a esperança.

Alexandra


Orwell , George
Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um acto revolucionário.




Aécio Neves vira réu no STF por corrupção e obstrução da Lava Jato
Ministros da 1ª Turma divergiram sobre o alcance das implicações feitas na denúncia pela PGR

Luiz Orlando Carneiro

Matheus Teixeira
17/04/2018 – 16:00

1ª Turma do Supremo Tribunal Federal recebeu, nesta terça-feira (17/4), denúncia contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o tornou em réu por corrupção passiva – ao solicitar R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, oferecendo como contrapartida atuação parlamentar em favor do Grupo J&F, – e também por tentativa de obstrução de investigações da Operação Lava Jato.

Além do tucano, tornaram-se réus por corrupção passiva a irmã do senador, Andréa Neves, seu primo Frederico Pacheco de Medeiros e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella. Aécio é o 12º congressista réu no Supremo em casos da Lava Jato ou em desdobramentos da operação.

A situação do senador ficou complicada logo no início do julgamento, quando teve rejeitadas as questões processuais levantadas por sua defesa para tentar derrubar as acusações ainda nas preliminares. Foram enfrentadas questões como a nulidade do processo devido à participação de Marcelo Miller, ex-porucador que teria feito jogo duplo na negociação da delação da JBS; a contaminação da colaboração da JBS diante da rescisão do acordo pela PGR; a alegação de que o caso deveria ser julgado pelo plenário porque a matéria envolve nulidades devido às gravações envolvendo presidente da República; e a violação ao princípio do juízo natural por os fatos não terem conexão com a Lava Jato e Fachin ter determinado as diligências iniciais do caso.

As preliminares e a imputação pelo crime de corrupção passiva contaram com a unanimidade do colegiado e não suscitaram maiores debates. A denúncia por obstrução à Justiça, contudo, causou divergência entre os magistrados. Esse trecho da denúncia foi recebido na íntegra pela maioria formada pelos ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux, mas os ministros Marco Aurélio (relator) e Alexandre de Moraes divergiram sobre o alcance das imputações.

Moraes afirmou que não havia elementos para abertura de ação penal em relação a este ponto, enquanto Marco Aurélio disse que a investigação por embaraço às apurações deveria ocorrer apenas sobre as articulação para troca dos delegados da Polícia Federal responsáveis pela Lava Jato, desconhecendo a necessidade de investigar as negociações para aprovação do projeto de anistia ao caixa 2 no Congresso.

Em um voto breve (clique aqui para ler a íntegra), o relator sustentou que estavam presentes os requisitos exigidos pelo CPP para abrir a ação penal. “A denúncia atende às exigências do artigo 41 do Código de Processo Penal: contém descrição do cometimento, em tese, de crime e das circunstâncias, estando individualizadas as condutas imputadas a cada um dos acusados”, sustentou.

O ministro afirmou, também, que Aécio contou com o auxílio dos outros três denunciados e que, por isso, eles também deveriam se tornarem réus no Supremo. Além disso, o magistrado disse que o argumento da defesa de que não há no processo a indicação do ato de ofício que comprova o crime de corrupção “diz respeito ao mérito e será examinadas após a instrução do processo-crime”.

Barroso foi mais enfático em defender a necessidade de receber a denúncia. Para o magistrado, as condições do pagamento de R$ 2 milhões não deixam dúvidas sobre a ilicitude do processo: “No mundo de negócios legais, empréstimos se fazem por transferência bancária ou no máximo por cheque. Nos dias de hoje, ninguém sai por aí transportando pela estrada malas de dinheiro”, afirmou.

Assim como fez o procurador Carlos Alberto Coelho, que representou a PGR, Barroso também lembrou do trecho da conversa entre Aécio e Joesley em que o parlamentar afirma ao empresário que deveria receber os valores negociados “alguém que a gente mate antes de fazer delação”, no caso, o primo dele, Frederico, que também se tornou réu neste processo.

Em outra parte do julgamento, uma crítica do ministro ao STF causou um mal-estar entre ele e o colega Alexandre de Moraes. Barroso lembrou do julgamento da 1ª Turma que determinou o afastamento de Aécio do mandato de senador e disse que o fato de o plenário ter reformado a decisão e definido que o Congresso tem a palavra final nesses casos “entrará para a antologia de barbaridades jurídicas”. Moraes, por sua vez, rebateu e ressaltou que esse foi o entendimento da maioria e que “absurdo é decretar prisão fora da Constituição”.

Luiz Fux foi outro que não demorou em dar seu voto. O ministro observou que, embora possa se provar o contrário no curso da ação penal, inicialmente a narrativa do MP demonstra maior verossimilhança do que aquela apresentada pelos advogados.

Moraes, por fim, destacou que existe “dúvida razoável com indícios fortes sobre prática corrupção passiva, que levam ao recebimento da denúncia”. Rechaçou, no entanto, a denúncia por obstrução à Justiça. “Por mais absurda que tenham sido as gravações, algumas frases demonstram intenção, outras meras bravatas de poder, falso poder. Sejam bravatas ou intenções, ficaram aqui no mundo das intenções”, disse.

Após o julgamento, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot comemorou em uma rede social a validação das provas do acordo de delação dos ex-executivos da JBS. “Provas obtidas por ação controlada validadas. Reconhecimento de que ex-procurador agiu por conta própria. Reconhecida a validade das gravações feitas de conversas nada republicanas com autoridades da República. O discurso vazio que tentava invalidar tudo isso virou sal na água”, escreveu Janot no Twitter.

A colaboração premiada da JBS leva Aécio, que responde a nove inquérito no STF, a se tornar réu pela primeira vez. Além de atingir o presidente Michel Temer, gravado por Joesley em uma conversa no Palácio do Jaburu, a delação dos executivos do frigorífico também enterrou a pretensão política de Aécio Neves de se candidatar novamente à presidência da República. Gravado pedindo R$ 2 milhões ao dono da empresa — o que, segundo a defesa era um empréstimo, mas de acordo com o MPF, propina –, ele foi afastado da presidência do PSDB após a divulgação das conversas com Joesley.

Inicialmente, o ministro Edson Fachin o afastou do mandato, mas rejeitou o pedido de prisão contra ele feito pela Procuradoria-Geral da República. Após a redistribuição do feito, Marco Aurélio tornou-se relator da matéria e permitiu Aécio a reassumir o mandato. A 1ª Turma, ao apreciar a liminar de Marco Aurélio, no entanto, determinou o afastamento dele mais uma vez. O plenário, contudo, reformou a decisão e prevaleceu o entendimento do relator, de que ele poderia voltar às atividades legislativas.

Os próximos passos após a decisão:

A abertura da ação penal é o caminho para o Supremo decidir se condena ou absolve o réu.

Depois do recebimento da denúncia, o Supremo começa a fase de instrução processual, com a apresentação de testemunhas de defesa e acusação.

Na sequência, uma nova etapa de coletas de provas e questionamentos dos elementos do processo. O réu também será interrogado e, depois, o Ministério Público e fará suas alegações finais, repassando o caso para o ministro Edson Fachin, nos casos ligados ao esquema de corrupção na Petrobras, fechar seu voto. Decano, Celso de Mello é o encarregado de revisar o processo liberando o caso para votação.

Não há prazo para um desfecho. Nos casos de Gleisi Hoffmann e Nelson Meurer, o ministro está na fase de revisão das ações penais há mais de dois meses.

Há expectativa de que Celso de Mello libere, nos próximos dias, a ação penal de Nelson Meurer para julgamento final. O caso será analisado pela 2ª Turma da Corte, formada ainda por Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Na sequência, deve ser analisada a ação penal de Gleisi, presidente do PT. Essas são as duas apurações mais avançadas.

O caso de Aécio foi parar na 1ª Turma porque não tem conexão direta com o suposto esquema na Petrobras. Julgam Aécio os ministros Marco Aurélio (relator), Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso.

Na denúncia do tucano, a PGR afirma que partiu de Andréa Neves ( irmã de Aécio) o pedido da ajuda financeira ao empresário da JBS. Em 18 de fevereiro de 2017, Andréa procurou Joesley e fez a solicitação do dinheiro “a pretexto de pagar honorários advocatícios”. Pouco mais de um mês depois, em 24 de março, o empresário e o senador se encontraram em um hotel em São Paulo, quando Joesley gravou a conversa, que, posteriormente foi entregue à PGR como parte do acordo de colaboração.

A Procuradoria entregou ao Supremo relatório com análise sobre acerto dos detalhes para a entrega do dinheiro em espécie, na articulação para esconder a operação, e a suposta  contrapartida oferecida pelo senador.

Na conversa, os dois falam sobre como Aécio poderia usar a sua influência para assegurar a indicação de pessoas para cargos públicos de interesse do Grupo J&F.

Outro lado

Em rápido pronunciamento a jornalistas no Senado, Aécio afirmou ter recebido com tranquilidade o acolhimento da denúncia pela 1ª Turma do STF, “até porque era esperado”. O tucano disse que uma vez considerado réu pela Justiça poderá se defender de forma adequada e atirou sobre os membros do Ministério Público e donos da JBS envolvidos na gravação que resultou na denúncia hoje acolhida.

“Estou sendo acusado de ter recebido recursos privados para pagar advogados. Não houve dinheiro público, o que houve é que esses agentes associados a membros do MP tentam dar uma sensação de ilegalidade a essa operação privada para dar impressão de legalidade a inúmeros crimes que cometeram.Temos que estar atentos aos crimes cometidos por esses agentes”.

O acolhimento da denúncia contra Aécio não tem efeitos sobre seu mandato. Para ser determinada uma eventual cassação, é preciso a análise de um pedido formal feito por um partido ou por um cidadão no Conselho de Ética e no plenário da Casa Revisora. Mesmo se eventualmente condenado, e na sentença o STF determinasse a perda de mandato, o entendimento das duas Casas Legislativas é de que o processo de cassação é necessário para determinação da cassação e seus efeitos legais. (Direitos Reservados/Reprodução Proibida)
Luiz Orlando Carneiro – Brasília
Matheus Teixeira – Brasília



Sensações

Sensações
Paula Fernandes

Eu me perdi, perdi você
Perdi a voz, o teu querer
Agora sou somente um,
Longe de nós, um ser comum

Agora sou um vento só a escuridão
Eu virei pó, fotografia, sou lembrança do passado
Agora sou a prova viva de que nada nessa vida
É pra sempre até que prove o contrário

Estar assim, sentir assim
Um turbilhão de sensações dentro de mim
Eu amanheço eu estremeço eu enlouqueço
Eu te cavalgo embaixo do cair
Da chuva eu reconheço

Que estar assim, sentir assim
Um turbilhão de sensações dentro de mim
Eu me aqueço, eu endureço, eu me derreto
Eu evaporo e caio em forma de chuva, eu reconheço
Eu me transformo

Agora sou um vento só a escuridão
Eu virei pó, fotografia, sou lembrança do passado
Agora sou a prova viva de que nada nessa vida
É pra sempre até que prove o contrário

Estar assim, sentir assim
Um turbilhão de sensações dentro de mim
Eu amanheço eu estremeço eu enlouqueço
Eu te cavalgo embaixo do cair
Da chuva eu reconheço

Que estar assim, sentir assim
Eu me aqueço, eu endureço, eu me derreto
Eu evaporo e caio em forma de chuva

Agora sou um vento só a escuridão
Eu virei pó, fotografia, sou lembrança do passado

Compositores: Paula Fernandes
Letra de Sensações © Universal Music Publishing Group







Lindos campos batidos de sol Ondulando num verde sem fim

Referências


https://evertonraphael.jusbrasil.com.br/artigos/357489954/poder-instrutorio-do-juiz-a-busca-da-verdade-real-no-novo-cpc
https://revistacult.uol.com.br/home/pos-verdade-e-politica/
http://www.fundacaoastrojildo.com.br/2015/2017/10/29/miriam-leitao-mentiras-convenientes-na-era-da-pos-verdade/
https://www.significados.com.br/verdade/
http://www.citador.pt/frases/citacoes/t/verdade
https://www.jota.info/stf/aecio-neves-vira-reu-no-stf-por-corrupcao-e-obstrucao-da-lava-jato-17042018
https://www.google.com.br/search?q=sensa%C3%A7%C3%B5es+Paula+Fernandes+Letra&oq=Sensa&aqs=chrome.0.69i59j69i57j69i61l2j0l2.3287j1j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8
https://youtu.be/AM1FrFtum58
https://youtu.be/BT_5h8XrLJ4

terça-feira, 17 de abril de 2018

Samba Sem Prima Vone...


Não É Samba,

Tiê.

Mestre Fuleiro




Dona Ivone Lara Ensaio


Dona Ivone Lara acompanha por Ratinho no cavaquinho e Freddy na percussão



Dona Ivone Lara canta "Tiê" - 1976



Programa Ensaio D Ivone Lara

Programa Ensaio com D. Ivone Lara com acompanhamento do Grupo Quinteto em Branco e Preto.


Sambista Ivone Lara morre aos 97 anos no Rio de Janeiro

Do UOL, em São Paulo 17/04/2018 00h31

A sambista Ivone Lara, popularmente conhecida como Dona Ivone Lara, morreu aos 97 anos vítima de uma parada cardiorrespiratória, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (16). A informação foi confirmada pelo UOL junto a familiares....




tie sangue cantando

Tiê segue cantando...




Dona Ivone Lara - Serra dos meus sonhos dourados / Não me perguntes (1991)


A importância de Nise da Silveira – Ocupação Dona Ivone Lara (2015)


Além de seus muitos anos de dedicação à música, Dona Ivone Lara – formada em serviço social –trabalhou no Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro durante 30 anos, até se aposentar. Especializada em terapia ocupacional, foi assistente de Nise da Silveira, médica que revolucionou o tratamento psiquiátrico no Brasil. No vídeo Gladys Schincariol, coordenadora de projetos do Museu de Imagens do Inconsciente, e Luiz Carlos Mello, diretor do Museu de Imagens do Inconsciente, falam da importância e do pioneirismo do trabalho da psiquiatra Nise da Silveira. Por fim, Abel Machado, músico e coordenador musical do bloco carnavalesco Loucura Suburbana, comenta a participação de Dona Ivone Lara como enfermeira e assistente social em sua equipe. Depoimentos gravados para a Ocupação Dona Ivone Lara, em abril de 2015, no Rio de Janeiro/RJ. Parceria do Itaú Cultural com a Musickeria, a Ocupação Dona Ivone Lara fica em cartaz entre 16 de maio e 21 de junho de 2015, na sede do Itaú Cultural em São Paulo/SP. Créditos Gerente do Núcleo de Comunicação e Relacionamento: Ana de Fátima Sousa Coordenadores do Núcleo de Comunicação e Relacionamento: Carlos Costa e Jader Rosa Entrevista: Fernanda Castello Branco Captação: André Seiti Gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura: Claudiney Ferreira Coordenadora de conteúdo audiovisual: Kety Fernandes Produção audiovisual: Jahitza de Balaniuk Captação e edição: Luiza Fagá Produção de som: Ana Paula Fiorotto Saiba mais sobre o evento no site do Itaú Cultural: http://novo.itaucultural.org.br/progr.... Visite o hotsite da Ocupação Dona Ivone Lara: http://www.itaucultural.org.br/ocupacao.




Referências

https://youtu.be/YM38U4WsBVU
https://youtu.be/HOmR48jGfHQ
https://youtu.be/GDEpQE4mHjc
https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2018/04/17/sambista-dona-ivone-lara-morre-no-rio-de-janeiro-diz-tv.htm
https://youtu.be/2jhCfOgxHDg
https://youtu.be/prRQAPZEPpU
https://youtu.be/tBol9NeeJVE
https://www.youtube.com/watch?v=tBol9NeeJVE

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Dos enxadristas em Curitiba...


A Um gênio no jogo de damas de Leningrado chamado Sokov;

Levando a Um Sábio e "Malandro" no jogo de damas da Ucrânia chamado Bakumenko;


Passando pelo gênio das pernas tortas de Pau Grande apelidado Garrincha.

Conformando...

Gênios dos tabuleiros da vida...

Nas Quebradas do Mundaréu de Plínio Marcos.


Ricardo Noblat: Meu personagem inesquecível
- Blog do Noblat | Veja

Que magnífica biografia, a de Lula. De preso político a político preso

Lula virou, mexeu, mas não saiu do lugar. Sérgio Moro, o mais exímio enxadrista da sua geração de juízes, aplicou-lhe um xeque e 40 horas depois, Lula continua em xeque. Ganhou tempo para pensar se o xeque o deixou sem saída ou se há alguma. Não parece haver.

Na prática, Lula está preso desde que se refugiou na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo na noite da última quinta-feira. Com a diferença de que ali sua cela é mais ampla do que será a de Curitiba. E visitas são permitidas a qualquer hora.

Ter que dormir numa cama improvisada, sem frigobar por perto, sem a tv de 50 polegadas e de alta definição a qual estava acostumado, sem poder levantar de madrugada e desfilar nu pela casa, enfim sem o conforto de estar em um lugar que é seu, é um tremendo incômodo.

E ter que ouvir o ex-senador Eduardo Suplicy a dissertar sobre as vantagens do programa de renda mínima? E a ter que ouvir amiúde a vozinha irritante da senadora Gleisy Hoffman, presidente do PT? E à algaravia infernal de conselheiros, admiradores e até desconhecidos?

Em uma de suas primeiras reuniões com ministros no Palácio do Planalto, em 2003, Lula comentou irritado depois de ouvir uma sugestão estúpida: “Toda vez que segui os conselhos da esquerda, me dei mal”. Não disse que se dera mal. Usou um dos seus palavrões preferidos. Mas deixemos assim.

Nas primícias do PT, a esquerda imaginou cavalgar Lula para com ele arrombar as portas do poder. Arrombou de fato na quarta tentativa. Mas como Lula nunca foi de esquerda e nem quis ser, foi ele que a cavalgou. Cavalga até hoje. Faz o que quer com ela. Continuará a fazer, por ora.

Lula sempre foi primeiro ele, segundo ele, terceiro, quarto, e suas circunstâncias. Uma vez, deram-lhe uma apostilha com uma espécie de Raio-X da esquerda. Para que ele a entendesse melhor. Páginas da apostilha que Lula jamais leu forraram o chão da casa do cachorro dele.

O líder das gigantescas greves do ABC paulista no início dos anos 80 foi também, e na mesma época, o analista informal da Odebrecht para assuntos sindicais. Está no depoimento a Moro do ex-presidente da construtora, Emílio Odebrecht. Já gostava de viver de obséquios.

O retirante da seca nordestina, que diz ter passado fome em São Paulo, transformou-se em sócio da Odebrecht ao se eleger presidente da República. Enriqueceu-a ainda mais, e enriqueceu, porque afinal ninguém é de ferro, nem mesmo ele, o filho de dona Lindu, nascida analfabeta.

De Garanhuns para o mundo, de acanhado língua presa para “este é o cara” como o saudou certa vez o presidente Barack Obama, Lula está a caminho de Curitiba. Questão de horas. Ou de um dia a mais, quem sabe mais um. E somente os fados impedirão que isso aconteça.

Enfim, de preso político nos idos de 80 do século passado, que driblava greve de fome chupando balinhas, a político preso, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, à espera do julgamento de mais oito processos. É o epílogo notável de uma biografia igualmente notável.



Ricardo Noblat: O enxadrista de Curitiba
- Blog do Noblat | Veja

Cheque mate

O juiz Sérgio Moro joga xadrez. A maioria dos seus adversários, damas.

A decisão de Moro de mandar prender Lula, decorrida apenas 17 horas do fim da sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal, foi mais um lance de jogador de xadrez.

Meia hora antes, um dos advogados de Lula, o sempre bem engomado Cristiano Zanin Martins, havia dito inexistir risco de “prisão iminente” do seu ilustre cliente. Zanin Martins joga damas.

Até Lula, hábil enxadrista, às vezes joga damas. Jamais imaginou que poderia ser preso antes do final da próxima semana.

Ao agir com rapidez, uma vez autorizado pelo tribunal de Porto Alegre, Moro encurtou o tempo da defesa de Lula para mantê-lo solto.

Não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que Moro pôs Lula e seus advogados em xeque.

Há dois anos, na véspera de Lula assumir a chefia da Casa Civil da presidência da República para assim ganhar foro especial escapando de ser preso, Moro divulgou uma gravação que fulminou a manobra.

Foi aquela onde Dilma, presidente, avisava a Lula que um emissário lhe entregaria uma cópia do ato de sua nomeação para ministro. Caso Moro tentasse prendê-lo, bastava mostrá-la para não ser.

O novo lance do enxadrista de Curitiba detonou também uma manifestação de solidariedade a Lula marcada pelo PT para esta tarde.

Às pressas, o partido antecipou-a para ontem à noite. Só reuniu cinco mil pessoas, segundo as contas infladas dos organizadores.

Se simplesmente tivesse mandado prender Lula, Moro poderia ter desatado a fúria dos seus devotos e – quem sabe? – conflitos violentos.

Preferiu intimá-lo a se entregar em Curitiba. Ainda economizou com o avião que buscaria Lula em São Paulo. Lula que vá às próprias custas.



Luiz Carlos Azedo: Lula no xadrez
- Correio Braziliense

A notícia foi uma bomba. Embora o Supremo houvesse rejeitado habeas corpus da defesa, a ficha de que a prisão o ex-presidente da República havia sido decretada não havia caído

O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, cumprindo determinação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), deu prazo até as 17h de hoje para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se apresentar à Polícia Federal em Curitiba para cumprir pena de 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado. Proibiu o uso de algemas, em qualquer hipótese. “Relativamente ao condenado e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe, em atenção à dignidade do cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente”, diz o mandado. Moro deu um xeque-mate na defesa de Lula.

A notícia caiu como uma bomba. Embora o Supremo Tribunal Federal (STF), por 6 na 5, em polêmico julgamento, houvesse rejeitado o pedido de habeas corpus da defesa de Lula, a ficha de que o ex-presidente da República poderia ser preso a qualquer momento ainda não havia caído — nem para seus aliados nem para seus adversários. As atenções ainda estavam voltadas para o STF, onde os advogados criminalistas Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Cláudio Pereira de Souza Neto e Ademar Borges de Sousa Filho ingressaram ontem com um pedido de liminar para que a Corte somente permita a prisão após condenação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), terceira instância do Judiciário.

Relator da ação, o ministro Marco Aurélio disse ontem que pode levar o caso para decisão dos 11 ministros “em mesa”, isto é, sem necessidade de que a presidente da Corte, Cármen Lúcia, marque uma data previamente. “De início, eu sou avesso à atuação individual”, disse. A decisão de Moro, porém, também pegou de surpresa o ministro e os advogados de Lula, que estavam trabalhando com o prazo de 10 de abril para apresentar um “embargo dos embargos” no TRF-4 e protelar a prisão. O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, em nota, disse que a “expedição de mandado de prisão nesta data contraria decisão proferida pelo próprio TRF-4 no dia 24/01, que condicionou a providência — incompatível com a garantia da presunção da inocência — ao exaurimento dos recursos possíveis de serem apresentados para aquele tribunal, o que ainda não ocorreu”.

Ontem, porém, o TRF-4 encaminhou ofício a Moro autorizando a execução da pena. A defesa de Lula ainda pode apresentar um último recurso ao TRF-4, que Moro desconsiderou. “Hipotéticos embargos de declaração de embargos de declaração constituem apenas uma patologia protelatória e que deveria ser eliminada do mundo jurídico”, justificou. Segundo Moro, “embargos de declaração não alteram julgados, com o que as condenações não são passíveis de alteração na segunda instância.”

Resistência
O ex-presidente estava na sede do Instituto Lula quando soube da decisão. Rumou para o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, transformado num búnquer petista. Estavam lá reunidos a ex-presidente Dilma Rousseff, o deputado Paulo Pimenta (SP), o senador Lindbergh Farias (RJ), o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho, os governadores Camilo Santana (Ceará) e Wellington Dias (Piauí), Guilherme Boulos, líder do MTST e candidato a presidente do PSol, e Wagner Santana, presidente do sindicato. Lula chegou por volta das 19h à sede do sindicato. A senadora Gleisi Hoffmann (SC), presidente do PT, falou em nome do partido: “Consideramos uma prisão política. É uma prisão que vai expor o Brasil ao mundo. Viraremos uma republiqueta de bananas.”

A notícia da ordem de prisão teve realmente repercussão mundial, isso animou os militantes e dirigentes petistas. A primeira reação da cúpula foi não aceitar a prisão. O próprio presidente Lula, na linha de confrontação com Moro, manifestou a intenção de não se apresentar em Curitiba. A predisposição de Lula é aguardar a execução da prisão pela Polícia Federal em São Bernardo. Liderada pela CUT, uma grande concentração está sendo convocada pelas centrais sindicais para as 10h de hoje, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo. Os sindicalistas querem fazer um cordão de isolamento e impedir a prisão de Lula.

Resistir à prisão não costuma ser uma boa ideia, mesmo quando o gesto é revestido de uma narrativa política. Todas as vezes em que resolveu afrontar a Justiça, desde os depoimentos perante o juiz Sérgio Moro, politizando o julgamento, Lula atrapalhou a própria defesa e deu com os burros n’água. Apenas reforça o senso comum de que se considera um cidadão acima das leis e das instituições. Lula está inelegível em razão da Lei da Ficha Limpa, mas insiste na candidatura a presidente da República. Essa reação, porém, é previsível. Há um certo desespero na cúpula petista com o desfecho da estratégia equivocada que adotou no plano eleitoral. A legenda contava com a possibilidade de fazer a pré-campanha com Lula em caravana pelo país, agora terá que antecipar a escolha de um candidato que o substitua na urna eletrônica.



Dia do Damista - 9 de maio

Todo damista brasileiro nasceu no dia 9 de maio !
Esta é uma forma de homenagem sincera, simples e delicada ao Mestre Geraldino Izidoro, que também nasceu no dia 9 de maio.
Há quem diga que o Dia do Damista não é dividido em horas, minutos ou segundos, mas que o Dia do Damista é dividido em pequenas saudades.
Saudades da mesa em que Júlio Mindelo fazia suas belas análises. Daquelas planilhas do Waldemar Bakumenko. Da agitação do Miranda da Bahia. Daquela elegância dos finais do Fabelo Chaves. Da Defesa Leningrado que o Reginaldo Cruz trouxe da Paraíba. Saudades do Américo Gaet, quase que imbatível em Brasília. Do Nilton Stock com sua simpatia, trazida de Porto Alegre.
Enfim, saudades de todos os que já se foram, mas que, por força do encantamento do jogo de damas, ainda continuam junto de nós.
A Confederação Brasileira do Jogo de Damas sente que contribuiu para que estes jogadores do passado fossem o espelho e a alma dos damistas que aí estão, com suas personalidades próprias, com seus conceitos aprimorados, com suas técnicas evolutivas.
E a lembrança deste crescimento todo é o presente que a Confederação oferece ao mundo damístico brasileiro no dia 9 de maio, dia de Izidoro e de todos nós.
Texto de Protásio Bueno.


Estreia em 58 na copa com a 11 e a conquistou por todos



Garrincha, 80 anos: 7 histórias incríveis da Alegria do Povo
Por: Equipe Trivela
28 de outubro de 2013 às 8:00
Nesta segunda-feira, faz 80 anos que nasceu, no interior do Rio de Janeiro, o homem que transformava um pequeno guardanapo em um latifúndio, como escreveu Armando Nogueira. Mané Garrincha desafiou uma legião de marcadores e transformou todos em Joões. Desafiou a deformidade do seu corpo e se eternizou como o Anjo das Pernas Tortas. Desafiou o álcool e perdeu. Morreu de cirrose, cinquenta anos depois de sair da barriga da mãe.

O que ficou para a história foram milhares de dribles, centenas de gols e uma dupla com Pelé que nunca perdeu uma partida pela seleção brasileira. O melhor jogador da Copa do Mundo de 1962 também era conhecido pela ingenuidade que contrastava com a extrema inteligência dentro de campo. Ele, porém, não era tão inocente quanto se pensava. As histórias que o retratam como um bobo tapado contém doses de exagero e de misticismo. Acontece com toda lenda.

Nos 80 anos do nascimento do mulherengo que tinha medo de agulha e que foi apelidado por caçar passarinhos, reunimos sete histórias deliciosas para lembrarmos que Garrincha não foi apenas o maior camisa sete da história, mas também um dos personagens mais interessantes que o futebol já viu.

“Didi, fala com ele para não fazer isso”


Desde o primeiro treino no Botafogo, em 1953, Nílton Santos sofria com Garrincha. Todos já ouviram detalhes de como o novato ponta-direita humilhou o experiente lateral esquerdo na primeira vez que se encontraram. Aliás, como o gol de Pelé na Javari, milhões de pessoas garantem que estavam em General Severiano assistindo. Na biografia que Ruy Castro escreveu sobre Mané, consta outra história em que a Enciclopédia do Futebol teve problemas pelo infortúnio de ter que enfrentar o colega de pernas tortas.

Nílton Santos tinha 33 anos na época da Copa do Mundo de 1958, mas essa era apenas a desculpa que Mendonça Falcão, presidente da Federação Paulista de Futebol, usava para tentar barrá-lo e colocar Oreco, do Corinthians, como titular. Bairrista e quase analfabeto, Falcão também tinha problemas pessoais com Nílton, que viu a sua vaga no time de Vicente Feola ameaçada. Por isso, resolveu treinar a sério contra Garrincha.

O problema é que querer parar Mané nunca bastou. Era necessária uma conjunção de fatores extraordinários. Nílton Santos achou que tivesse pegado o jeito de marcar Garrincha. Manteve o pé de apoio no gramado e aguardou o amigo tomar a iniciativa. Não funcionou, claro. Levou um, dois, três, quatro dribles e não aguentou mais. Precisou apelar.

“Didi, fala com ele para não fazer mais isso!”, implorou, praticamente. Didi, outro craque do Botafogo, foi tentar argumentar com Garrincha. “Poxa, Mané, não faz isso. O Nílton é do Botafogo e teu chapa”. O jogador percebeu que poderia prejudicar o companheiro e tentou maneirar. O problema é que Garrincha era instintivo. Não conseguia se segurar. E mais uma vez transformou um dos maiores laterais do futebol brasileiro em um João qualquer. Nílton Santos, então, partiu para a violência e deu alguns socos na barriga de Mané, que reclamou após o treino.

“O que deu em você? Olha a minha barriga. Está toda vermelha”.
 “Ou você sossega ou eu não jogo essa Copa do Mundo. Os homens estão querendo me botar na cerca. Vamos com calma”, pediu Nílton Santos, que garantiu a posição de titular em dois amistosos contra a Bulgária, no Maracanã e no Pacaembu, mas nunca descobriu a melhor forma de marcar Garrincha.

Mané humilhou na Copa e ainda foi leal


A partida mais célebre de Garrincha foi logo sua estreia na Copa de 1958. O Brasil corria o risco de ser eliminado pela União Soviética e Vicente Feola apostou no camisa 11 entre os titulares. Era a criatividade do ponta direita contra o cientificismo que era atribuído aos soviéticos. Antes do apito inicial, o técnico ordenou a Didi: “Lembre, o primeiro passe vai para Mané”. E, segundo Nelson Rodrigues, “a desintegração da defesa começou exatamente no primeiro momento em que Garrincha tocou a bola”.

Idealizador da Liga dos Campeões, o jornalista Gabriel Hanot definiu o início daquele jogo como ‘os três melhores minutos da história do futebol’. Neste curto intervalo, Garrincha e Pelé acertaram a trave de Lev Yashin, enquanto Didi lançou Vavá para abrir o placar.

Naquele dia, Mané eternizava o ‘joão’, o marcador que sabia muito bem o que ele faria, mas não se cansava de ser driblado. Boris Kuznetzov, o lateral esquerdo da seleção soviética, foi quem mais sofreu com aquele trançar infinito de pernas tortas.

Com 30 segundos de jogo, Kuznetzov já tinha sido ludibriado por Garrincha algumas vezes e ido ao chão – pouco antes de receber reforço de outros dois companheiros na marcação, igualmente enganados pela ginga. E a cena dos soviéticos tropeçando nas próprias pernas seria constante. Em uma delas, Mané colocou o pé sobre a bola e estendeu a mão para o defensor se levantar. Bastou o adversário ficar em pé novamente para que ele voltasse a correr. Uma humilhação gigantesca, tratada pelo craque como um lance de pelada.

Teve aquela vez que Garrincha criou o grito de olé

Sabe quando a torcida começa a gritar “olé” ao ver um time muito superior ao adversário? A primeira vez que isso aconteceu foi em 1957, no México. Graças a Garrincha. João Saldanha, técnico do Botafogo na época, conta em seu livro Histórias do Futebol que Mané estava impossível em um amistoso contra o River Plate, no Estádio Universitário, parte da excursão do time carioca ao país. Quem mais sofria era Vairo.

“Toda vez que Mané parava na frente de Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: ‘Ô ô ô ô ô ô-lê!'”, escreveu Saldanha. “Foi ali, naquele dia, que surgiu a gíria do ‘olé’. As agências telegráficas enviaram longas mensagens sobre o acontecimento e deram grande destaque ao ‘olé’. As notícias repercutiram bastante no Rio e a torcida carioca consagrou o ‘olé'”.

O jogo terminou empatado, mas Vairo não terminou o jogo. O técnico José Maria Minella, do River Plate, foi piedoso e substituiu o jogador, que saiu de campo dando risada. “Não tem o que fazer. Impossível”, disse, antes de acrescentar para o seu suplente. “Boa sorte, amigo. Antes, porém, te aconselho a escrever algo para sua mãe”.

Como escreveu Saldanha – tão craque com as palavras quanto Garrincha com a bola – é apropriado que Mané tenha inspirado esse grito. “Garrincha é o próprio ‘olé’ Dentro e fora de campo, jamais vi alguém tão desconcertante, tão driblador. É impossível adivinhar o lado por onde Mané vai sair da enrascada. Foi a coisa mais justa do mundo que Garrincha tivesse sido o inspirador do ‘olé'”.

Para onde foi o Mané?

O Botafogo tinha dois amistosos em El Salvador. Contra a seleção local e contra o Independiente. O último jogo foi antecipado em um dia e, na véspera, um jogador não estava no hotel. João Saldanha, técnico, não sabia onde estava Mané Garrincha. Pegou um táxi, acompanhado do roupeiro Aloísio Birruma e do dirigente Renato Estelita e saiu pelas ruas para procurar o craque desaparecido.

Rodaram, rodaram e rodaram e nada de encontrar Mané. Aloísio viu um cartaz pendurado em um poste que anunciava um “Gran concurso de Bolero” naquela mesma noite. Era difícil imaginar Garrincha participando de um concurso de dança, mas, como as opções estavam se esgotando, a delegação do Botafogo foi para La Caverna ver se ele estava lá.

E não é que estava?. O público tomava conta da pista, extasiado com os movimentos de uma dupla singular: uma garota baixa, de um metro e meio, usando um vestido verde e um lenço amarelo e vermelho e o maior ponta direita da história. Renato não quis saber de nada. Invadiu a pista e mandou Mané entrar no táxi, deixando a pequena dançarina aturdida, sem saber o que estava acontecendo.

Por que diabos Mané Garrincha estava em um concurso de dança? A explicação, reproduzida no livro Histórias do Futebol, escrito por Saldanha, é simples: “O senhor (Renato) não me mandou ir representar a gente na Escola Brasil? Lá só tinha velha e ninguém quis ir. Eu fui e me chateei a tarde toda. Depois, fui ao cinema e voltei ao hotel. A garota me convidou para o concurso. Era dia livre e eu fui. Eu ia ganhar vinte dólares no concurso. Ainda tinha uma taça. A garota é o fino na dança e o papai aqui é o maior. O senhor estragou tudo”.

Todos entenderam que Mané não viu o aviso de que o jogo havia sido antecipado e não houve punição, mas Garrincha tinha outra preocupação: não queria que os companheiros tirassem sarro. Não deu muito certo. No café da manhã do dia seguinte, Édson chamou o colega de pernas tortas de “Cinderela” porque ele “tinha saído à meia-noite antes do baile acabar”.

E que fim levou a garota? Bom, ela apareceu no hotel e fez um escândalo até que Renato Estelita aceitasse pagar os vinte dólares, já que ela tinha certeza que seria campeã do concurso. Ao ver o chefe tirar a carteira do bolso, Mané emendou: “Seu Renato, também tenho direito a vinte dólares. Eu também ia ganhar o prêmio. O senhor viu como o pessoal aplaudia, né?”. Garrincha não ganhou os vinte dólares.

Tio Patinhas contra a rapa

Amigo de Garrincha, o jornalista Sandro Moreyra foi um dos principais encarregados de listar os folclores do craque. Uma das anedotas mais célebres aconteceu em um jogo da Seleção. No intervalo, o técnico Vicente Feola foi orientar seus comandados. E se dirigiu ao ponta:

– Você, Mané, vai avançar mais pelo canto. Daí…

Quem disse que ele prestara atenção? Garrincha estava encostando em um canto, lendo um gibi. Foi a deixa para que Feola esbravejasse:

– Bem, então você faça o que quiser

O ponta foi fiel às ordens e fez o que quis para os brasileiros saírem com a vitória.

Comendo o prato errado

Durante uma excursão à Europa, a Seleção precisou fazer escala em Paris. E, entre um voo e outro, os jogadores acabaram almoçando no próprio restaurante do aeroporto. Dentista da equipe, Mário Trigo foi ajudar os jogadores com o cardápio em francês. Mas Garrincha recusou qualquer intervenção:

– Doutor, deixa que eu mesmo peço.

– Como é que você vai pedir, se não conhece a língua?

– Deixa, doutor. É simples. Só preciso apontar o dedo para o prato que quiser.

Enquanto todos almoçavam, Garrincha esperava. E o impaciente Mané reclamou da demora da comida ao doutor, que foi verificar com os garçons o que tinha acontecido. Desfez-se o mistério. O que ele tinha pedido?

– Não o servimos porque ele indicou que quer comer o dono do restaurante, Monsieur Jean Paul.

O radinho da discórdia


Uma história de Garrincha que possui várias versões fala sobre a compra de um rádio na Copa de 1958. Segundo o dentista Mario Trigo, o massagista Mario Américo foi quem passou a perna em Mané. O jogador estava maravilhado com um radinho de pilha adquirido na Suécia, quando o massagista resolveu pregar a peça:

– Esse rádio não funcionará no Brasil, ele só fala sueco! Façamos o seguinte: você pagou 180 coroas, te dou 90 para diminuir seu prejuízo.

Garrincha caiu na lábia e foi reclamar com Trigo, com quem tinha ido à loja fazer a compra. O dentista desfez a confusão ao pegar 180 coroas com Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação, e trazer outro aparelho. Bom para o Mané, contente com o rádio poliglota.


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'Os 3 minutos mais incríveis da história do futebol' - Brasil x URSS, Copa 1958

'Os 3 minutos mais incríveis da história do futebol' - Brasil x URSS, Copa 1958

Publicado em 8 de mai de 2011
"A descoberta de Garrincha" (Nelson Rodrigues) - "E eis que pela primeira vez, um “seu” Manuel é o personagem da semana. Com esse nome cordial e alegre de anedota ele tomou conta da cidade, do Brasil e, mais do que isso, da Europa. Creiam, amigos: o jogo Brasil x Rússia acabou nos três minutos iniciais . Insisto: nos três minutos já o seu Manuel, já o Garrincha, tinha derrotado a colossal Rússia, com a Sibéria e tudo o mais. E notem: bastava ao Brasil um empate. Mas o meu personagem não acredita em empate e disparou pelo campo adversário, como um tiro. Foi driblando um, driblando outro e consta, inclusive, que, na sua penetração fantástica, driblou até as barbas de Rasputin. Amigos, a desintegração da defesa russa começou exatamente na primeira vez em que Garrincha tocou na bola. Eu imagino o espanto imenso dos russos diante deste garoto de pernas tortas, que vinha subverter todas as concepções do futebol europeu. Como marcar o imarcável? Na sua imaginação impotente, o adversário olhava Garrincha, as pernas tortas e concluía: “Isso não existe!”. E eu, como os russos, já me inclino a acreditar que de fato domingo Garrincha não existiu. Foi para o público internacional uma experiência inédita. Realmente, jamais se viu, num jogo de tamanha responsabilidade, um time, ou melhor, um jogador começar a partida com um baile. Repito: baile sim, sim, baile! E o que dramatiza o fato é que foi baile não contra um perna-de-pau, mas contra o time poderosíssimo da Rússia. Só um Garrincha poderia fazer isso. Porque Garrincha não acredita em ninguém e só acredita em si mesmo. Se tivesse jogado contra a Inglaterra, ele não teria dado a menor pelota para a rainha Vitória, o Lord Nelson e a tradição naval do adversário. Absolutamente. Para ele, Pau Grande, que é a terra onde nasceu, vale mais que toda comunidade britânica. Com esse estado de alma, plantou-se na sua ponta para enfrentar os russos. Os outros brasileiros poderiam tremer. Ele não e jamais. Perante a platéia internacional, era quase um menino. Tinha essa humilhante sanidade mental do garoto que caça cambaxirra com espingarda de chumbo e que, em Pau Grande, na sua cordialidade indiscriminada, cumprimenta até cachorro. Antes de começar o jogo, o seu marcador havia de olhá-lo e comentar para si mesmo, em russo: “Esse não dá para saída!”. E , com dois minutos e meio, tínhamos enfiado na Rússia duas bolas na trave e um gol. Aqui, e em toda a extensão do território nacional, começávamos a desconfiar que é bom, é gostoso ser brasileiro. Está claro que não estou subestimando o peito dos outros jogadores brasileiros. Deus me livre. Por exemplo, cada gol de Vavá era um hino nacional. Na defesa, Bellini chutava até a bola. E quando, no segundo tempo, Garrincha resolveu caprichar no baile, foi um carnaval sublime. A coisa virou show de Grande Otelo. E tem razão um amigo, que, ouvindo o rádio, ao meu lado, sopra-me :”Isso que o Garrincha esta fazendo é pior que xingar a mãe!”. Calculo que, a essa altura, as cinzas do czar haviam de estar humilhadíssimas. O marcador do “seu Manuel” já não era um, eram três. E, então, começou a se ouvir, aqui no Brasil, na praça da Bandeira, a gargalhada cósmica tremenda do público sueco. Cada vez que Garrincha passava por um, o público vinha abaixo. Mas não creiam que ele fizesse isso por mal. De modo algum. Garrincha estava ali com a mesma boa fé inefável com que, em Pau Grande, vai chumbando as cambaxirras, os pardais. Via nos russos a inocência dos passarinhos desterrados de Pau Grande. Calculo que, lá pelas tantas, os russos, na sua raiva obtusa e inofensiva, haviam de imaginar que o único meio de destruir Garrincha era caçá-lo a puladas. De fato, domingo, só a pauladas e talvez nem isso, amigos, talvez nem assim." NELSON RODRIGUES (Manchete Esportiva, 21/6/1958) Brasil 2 x 0 União Soviética, 15/6/1958, em Gotemburgo (Suécia). A URSS era apontada como o grande fantasma da Copa por seu "futebol científico". https://www.facebook.com/botafogofotos RARIDADE: Curta o Facebook de fotos históricas do Botafogo, constantemente atualizado





Um gênio no jogo de damas chamado Sokov


Lélio Sarcedo
Publicado em 13 de fev de 2015
Vasily Alexandrovich Sokov, um dos maiores gênios do jogo de damas de toda a história. Nasceu em 1912 e faleceu em 1944, na frente de batalha da ex-União Soviética contra os alemães na Segunda Guerra Mundial. Sokov foi campeão da ex-União Soviética, morava em Leningrado, e foi um dos responsáveis pelo grande avanço técnico do jogo de damas. Era um jogador muito criativo. Jogava em função de fazer combinações complexas. E contra combinações. Neste vídeo abordo duas posições ocorridas em duas partidas jogadas por Sokov. A primeira contra Lerner, onde Sokov vence com uma magnífica idéia de prisão. E a segunda contra Kazanski, onde Sokov vence com uma contra combinação de um tema clássico. Um tema, a propósito, muito trabalho No Treinamento de Cálculo. Sokov mostra nessas duas contra combinações todo seu poder de análise e cálculo. Sokov, sem dúvidas, sempre terá seu nome cravado na lista dos melhores do mundo na história do jogo de damas. Sokov, além de um grande jogador, também foi um grande compositor. Criou inúmeros finais clássicos e inúmeras posições combinativas de uma qualidade impressionante.http://youtu.be/xUb3FZ_59U4





Bakumenko, Sábio e "Malandro"no jogo de damas

Lélio Sarcedo
Publicado em 2 de jan de 2015
Mexendo nas minhas coisas neste final de ano encontrei uma foto de Bakumenko, de 1968. E aí lembrei-me de uma partida que Bakumenko jogou contra Romanov, em 1931, onde ele mostra todo o seu lado sábio e "malandro" ! Ele faz um lance sutil e engana o Grande Mestre Romanov e ganha com uma contra-combinação muito bonita. Bakumenko veio para o Brasil após a Segunda Guerra Mundial e viveu em São Paulo até 1968, quando faleceu. Bakumenko foi um dos maiores jogadores de toda a história da União Soviética, onde foi campeão em 1927. Veja mais no www.lelio.com.br.http://youtu.be/8KTXiSHqREw



Plínio Marcos Nas Quebradas do Mundaaréu - Trailer



BakuGarrincha - The Charlie Chaplin of Football


Referências

http://gilvanmelo.blogspot.com.br/2018/04/ricardo-noblat-meu-personagem.html#more
http://gilvanmelo.blogspot.com.br/2018/04/ricardo-noblat-o-enxadrista-de-curitiba.html
http://gilvanmelo.blogspot.com.br/2018/04/luiz-carlos-azedo-lula-no-xadrez.html#more
http://www.damasciencias.com.br/dia_do_damista/diadodamista.html
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https://www.youtube.com/watch?v=ojLKzLuvni8&feature=youtu.be
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https://www.youtube.com/watch?v=xUb3FZ_59U4&feature=youtu.be
https://www.youtube.com/watch?v=xUb3FZ_59U4&feature=youtu.be
https://youtu.be/8KTXiSHqREw
https://www.youtube.com/watch?v=8KTXiSHqREw
https://www.youtube.com/watch?v=sbJHCAUV09c
https://youtu.be/nWIzgkbN1W8