sábado, 30 de abril de 2016

Quando te foste para sempre


s.f. Cessação definitiva da vida. / Pena capital. / Fig. Destruição, perdição, termo; ruína. / Divindade mitológica representada por um esqueleto humano armado de foice. / Fig. Dor violenta: sofrê-la na alma. / Ausência de vida, imobilidade. / Ruína, extinção. / Causa de ruína. // Estar à; a dois passos da; no leito de, estar a ponto de. // Estar entre a vida e ela, estar sob grande ameaça de. // aparente, estado de extrema redução das funções vitais que dá a aparência exterior de. (A medicina legal permite que o médico lance mão de recursos para distinguir entre a aparente e a real.) // civil, privação dos direitos de cidadania. // eterna, privação da eterna bem-aventurança.





É o termo da vida devido à impossibilidade orgânica de manter o processo homeostático. Trata-se do final de um organismo vivo que havia sido criado a partir do seu nascimento.
O conceito, no entanto, foi sofrendo alterações ao longo do tempo. Outrora, considerava-se que, enquanto evento, tinha lugar assim que o coração deixava de bater e que o ser vivo deixava de respirar. Com o avanço da ciência, passou a ser vista como um processo que, a partir de uma certa altura, se torna irreversível.
Hoje em dia, ainda que já não consiga respirar pelos seus próprios meios, uma pessoa pode ter acesso a um respirador artificial, mantendo assim uma vida com alguma qualidade. Por outro lado, convém referir a cerebral, isto é, a paragem completa e irreversível da actividade cerebral.
Fora a biologia, existe uma concepção social e religiosa relativamente à. Costuma-se, neste caso, considerá-la como sendo a separação do corpo e da alma. Posto isto, corresponde ao final da vida física (isto é, na terra), mas não da existência. A crença na reencarnação também é uma questão bastante comum.
Um esqueleto coberto com uma espécie de túnica e uma gadanha simboliza-a. Na mitologia greco-romana, a Parca (uma deusa) a representa igualmente.
Por fim, é a destruição ou o final de algo: “A Argentina assistiu à da sua selecção assim que Diego Maradona foi para a reforma”.





Por muito tempo a definição estava ligada à parada de funcionamento do coração e a conseqüente parada de respiração. O desenvolvimento tecnológico deste século fez surgirem medicamentos e máquinas capazes de restaurarem a vida poucos minutos após a parada do coração e em algumas situações mantê-la indefinidamente.

A partir de então as autoridades médicas passaram a considerar a cerebral como a definição biológica. A falta de oxigênio ou anoxia pode levar a um estado tal de lesão das células cerebrais que a pessoa não pode mais acordar mesmo sob efeito de estimulação eficiente, apesar de manter seu coração e pulmões em funcionamento.

É o estado de coma irreversível. Nesta situação o exame eletrencefalográfico não mostra qualquer tipo de atividade, sendo que este exame deve ser repetido após 24 horas da realização do primeiro e manter o mesmo padrão. Alguns hospitais exigem também a realização do exame angiográfico cerebral que mostra a ausência completa de circulação sangüínea no cérebro quando há morte cerebral.

A suspensão dos procedimentos médicos que mantém o coração e os pulmões em funcionamento por longos períodos diante do diagnóstico de morte cerebral é problemática, levantando importantes questões éticas. Tais decisões podem ser tomadas por comitês compostos de médicos, enfermeiras, religiosos, assistentes sociais e psicólogos, além de membros da família do paciente. Cada situação deve ser vista de maneira particular o que impede o estabelecimento de normas.

O desenvolvimento dos procedimentos de operações de transplantes de órgãos a partir de cadáveres contribuiu muito para uma profunda análise médico-legal do problema. Difíceis questões legais passaram a ocorrer diante de pessoas em estado de coma irreversível.

O "direito de”, por exemplo, que preconiza a interrupção da vida do paciente em cerebral ou mesmo nos casos de moléstia terminal, para se evitar o prolongamento de sofrimento desnecessário, é uma questão crucial. São situações que envolvem a questão da eutanásia, ou mais precisamente a indução de suave em casos especiais, que não estão ainda bem definidas.

No início do século as pessoas em casa ao lado de seus familiares. A partir da metade deste século o local passou a ser o hospital freqüentemente longe de familiares. Atualmente há uma clara tendência de se voltar aos procedimentos do início do século com cuidados especiais que diminuiriam a dor e propiciariam melhores cuidados psicológicos.

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fim.





PABLO NERUDA (III)
Poeta. Quando te foste para sempre
plangeram os sinos da
terra e silvaram todas as sirenas
dando aviso no universo.

Partiu-se o fio de ouro filigrana
da tua poesia universal.
Em que estrela remota
terá pousado tua cabeça
de poeta total?

Grande cantor das Américas,
domador insigne desse potro
bravio que descantas.
lndomado ao buçal e ao freio
com que tentam quebrar
sua rebeldia xucra.

Grande poeta.
Teu corpo gélido vai se desintegrando
molécula após molécula
na terra fria de Temuco,
e vai se integrando de novo
no grande todo universal.
E eu o vejo comandando
no etéreo todos os potros
indomados da Terra. 
© CORA CORALINA
In Meu livro de cordel, 1976




Vocabulário Poético de Cora Coralina
poeta
substantivo masculino
1.
escritor que compõe poesia.
2.
autor cuja obra é impregnada de poesia.
"compositores como Chopin e Debussy são verdadeiros p."

planger
verbo
1.
transitivo direto e intransitivo
soar ou anunciar tristemente.
"os sinos plangiam as 12 badaladas"
2.
intransitivo
derramar lágrimas; lastimar-se, chorar.
"todos plangiam tristemente"


silvar
2
Significado de Silvar
v.i. Assobiar; sibilar.


filigrana
2
Significado de Filigrana
s.f. Obra em forma de renda tecida com fios de ouro, de prata, de vidro, que pode ser aplicada sobre um fundo ou aparecer na massa de um objeto transparente.
Marca, desenho ou linha que se encontram no corpo de um papel e que só se vêem por transparência.
Fig. Ornamento do estilo.


remoto
adjetivo
1.
que ocorreu há muito tempo; antigo, longínquo.
2.
distante no espaço; distanciado.


domador
ô/
adjetivo substantivo masculino
que ou quem amansa ou domestica; domesticador.


insigne
8
Significado de Insigne
adj.m. e adj.f. Que consegue ser notado por seu trabalho, realizações e/ou obras; famoso ou ilustre.
(Etm. do latim: insignis.e)

descantar
0
Significado de Descantar
v.t. Cantar ao som de instrumentos musicais.


buçal
substantivo masculino
1.
B S. parte do arreamento do cavalo que se prende à sua cabeça e ao pescoço; boçal [Compõe-se de focinheira, cabeçada, fiador e cedeira.].
2.
SP cabresto forte, com focinheira; buçá.


Xucro
Significado de Xucro
adj. Minas Gerais. Diz-se do animal que não foi ou não está domado; selvagem, bravio, intratável.
P.ext. Que não possui capacidade para desenvolver certos trabalhos e/ou atividades.
Pessoa que age ou se comporta de modo bruto, sem gentileza; grosseiro.
Que evita uma pessoa desconhecida; que se afasta; geralmente, diz-se da criança.
Que não possui açúcar; amargo: café chucro.
Do mesmo significado de chucro.
(Etm. do hispânico americano: chúcaro)


Temuco é uma cidade, também uma comuna (município), do Chile, capital da Região de Araucanía e da Província de Cautín. Localizada a 670 km ao sul da cidade de Santiago, a cidade já foi visitada, em 18 de fevereiro de 1952, por Che Guevara e Alberto Granado.


etéreo
adjetivo
1.
concernente a, da natureza de ou próprio do éter.
2.
fig. que eleva espiritualmente; sublime, elevado.
"música e."


indomado
adjetivo
1.
não domado ou domesticado; bravo, selvagem.
2.
p.ext. não subjugado ou contido; incontrolado, irrefreado.

"raiva i."


Itinerário de Cora Coralina

UM TETO TODO SEU: O ITINERÁRIO POÉTICO-INTELECTUAL DE CORA CORALINA Clovis Carvalho Britto (UnB) ‘Sim, foi naquele meio, afastada de tudo o que me prendia, sozinha, longe da vida de meus filhos (porque uma mãe quando mora com os filhos vive a vida de todo o mundo, menos a dela). Quando eu senti uma necessidade imprecisa, obscura de me por de longe, eu tinha qualquer coisa que me forçava a isso. Em Goiás, vamos dizer assim, abriram-se as portas do pensamento e escrevi o primeiro livro publicado” (Cora Coralina, In: ARAÚJO, 1977).




Cora Coralina (1889-1985) foi uma poetisa e contiista brasileira, responsável por belos poemas. Foi elogiada por Carlos Drummond de Andrade.
Cora Coralina (1889-1985) nasceu na cidade de Goiás, no dia 20 de agosto de 1889. Seu nome de batismo era Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Tornou-se doceira, ofício que exerceu até os últimos dias de sua vida. Famosos eram os seus doces de abóbora e figo.
Cora Coralina já escrevia poemas em 1903 e chegou a publicá-los no jornal de poemas femininos "A Rosa", em 1908. Em 1910, foi publicado o seu conto "Tragédia na Roça" no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", usando o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1911, Fugiu com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas, com quem teve seis filhos. Foi convidada a participar da Semana de Arte Moderna, mas é impedida pelo seu marido.
Já em São Paulo, em 1934, trabalhou como vendedora de livros na editora José Olímpio, onde lançou seu primeiro livro, em 1965, quando tinha 76 anos, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado o livro "Meu Livro de Cordel" pela editora Goiana. Mas o interesse do grande público é despertado graças aos elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade, em 1980.
Cora Coralina recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG e foi eleita com o "Prêmio Juca Pato" da União Brasileira dos Escritores, como intelectual do ano de 1983.
Cora Coralina faleceu em Goiânia, no dia 10 de abril de 1985.
Informações biográficas de Cora Coralina:
Data do Nascimento: 20/08/1889
Data da Morte: 10/04/1985
Morreu aos: 95 anos
Última atualização do biografia de Cora Coralina: 13/04/2015.


LEIA CORA CORALINA










Verdade e Esperança

Esperançar



“Como insistia o inesquecível Paulo Freire, não se pode confundir esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar. Aliás, uma das coisas mais perniciosas que temos nesse momento é o apodrecimento da esperança; em várias situações as pessoas acham que não tem mais jeito, que não tem alternativa, que a vida é assim mesmo… Violência? O que posso fazer? Espero que termine… Desemprego? O que posso fazer? Espero que resolvam… Fome? O que posso fazer? Espero que impeçam… Corrupção? O que posso fazer? Espero que liquidem… Isso não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo. E, se há algo que Paulo Freire fez o tempo todo, foi incendiar a nossa urgência de esperanças” Sérgio Cortella


A verdade existe.
Se absoluta ou relativa,
Debatam os filósofos.
Decidam os brandos e pacíficos.
Iluminem-se todos com esperança.
Investiguem-na com afabilidade e doçura.
É um estímulo. 27.04.2016






Verdade significa aquilo que está intimamente ligado a tudo que é sincero, que é verdadeiro, é a ausência da mentira.
Verdade é também a afirmação do que é correto, do que é seguramente o certo e está dentro da realidade apresentada.
A verdade é muitas vezes desacreditada e o ceticismo é a descrença ou incredulidade da verdade. Aquele indivíduo que tem predisposição constante para duvidar da verdade é chamado de cético.
Quando pessoas ou grupos tentam provar que se interessam por assuntos, mas na verdade não gostam, ou não entendem, são chamados de pseudo, ou seja que não são verdadeiros. Ex: pseudocatólico, pseudo-intelectual, pseudo-canônico etc.
A verdade dos fatos exerce grande importância no julgamento das ações humanas. Quando uma verdade deixa dúvidas, é imprescindível verificar sua veracidade, que podem ou não incriminar um indivíduo.
Uma verdade pode ser demonstrada sem ser reconhecida como verdadeira, por não ser muito clara. Diz-se que é um postulado, pois precisa ainda de comprovações para se chegar a real verdade.
A verdade é relativa, pois alguns fatos podem ter sido verdade no passado e não serem mais verdade no futuro. Ex: No passado as pessoas consideravam ser verdade que o planeta Terra era plano. A verdade também pode ser verdade para algumas pessoas e para outras não, depende da perspectiva de cada um.
A verdade absoluta é aquela que é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O que é verdade para uma pessoa é verdade para todos. Ex: Todos precisam de ar para respirar. As pessoas não podem viver ao mesmo tempo no passado e no futuro.
Verdade e filosofia
Uma das características do ser humano é a busca permanente pela verdade, é o desejo de comprovar a veracidade dos fatos e de distinguir o verdadeiro do falso e que frequentemente nos coloca dúvidas no que nos foi ensinado. A busca pela verdade surge logo na infância e ao longo da vida, estamos sempre questionando as verdades estabelecidas pela sociedade e a filosofia tem na investigação da verdade o seu maior valor.








Esperançar Sérgio Cortella


O que significa Esperança:
Esperança é o substantivo feminino que indica o ato de esperar alguma coisa, pode ser também um sinônimo de confiança.
Ter esperança é acreditar que alguma coisa muito desejada vai acontecer. A esperança pode ser fundamentada (ou realística) ou baseada em alguma utopia, algo que dificilmente será alcançado.
Em sentido figurado, a palavra esperança pode dizer respeito a alguma pessoa na qual é colocada um elevado grau de expectativa. Ex: A minha filha é muito inteligente. Ela é a minha esperança de um futuro melhor.
No âmbito da entomologia (estudo dos insetos), esperanças são insetos ortópteros, com longas antenas e normalmente de cor verde. Frequentemente são encontrados em pastos e alguns são muito parecidos com folhas.
Esperança de vida
A expressão "esperança de vida" (ou expectativa de vida) indica a média de anos que uma pessoa pode viver, ou seja, são os anos vividos desde o seu nascimento até o seu falecimento. Esta estatística é usada como índice de desenvolvimento dos vários países, pois quanto mais desenvolvido, maior é a esperança de vida.
No princípio do século XX a esperança média de vida global era de 45 anos. Com o passar dos anos, a expectativa de vida foi aumentando, graças a progressos na medicina (cura de doenças que antes eram mortais), ao combate à mortalidade infantil, melhoramento das condições de higiene, etc.
No Brasil, a esperança  de vida melhorou significativamente entre 1980 e 2013, passando de 62,7 para 73,9 anos.
Esperança na Bíblia
De acordo com a Bíblia, a esperança é uma das três virtudes teologais, conforme é possível comprovar em 1 Coríntios 13:13: "Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor."
Também é possível verificar que a esperança está relacionada com a fé, de acordo com Hebreus 11:1: "Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos."
Em Jeremias 29:11, podemos ver que Deus quer que o Seu povo tenha esperança: "Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro."
Para um cristão, ter esperança é saber que apesar das dificuldades que o cristão enfrenta nesta vida, que o melhor ainda está por vir.















LÁZARO
Paris, 1861

            6 – A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são a sua manifestação. Entretanto, nem sempre se deve fiar nas aparências, pois a educação e o traquejo do mundo podem dar o verniz dessas qualidades. Quantos há, cuja fingida bonomia é apenas uma máscara para uso externo, uma roupagem cujo corte bem calculado disfarça as deformidades ocultas! O mundo está cheio de pessoas que trazem o sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são doces, contanto que ninguém as moleste, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, doirada quando falam face a face, se transforma em dardo venenoso, quando falam por trás.
            A essa classe pertencem ainda esses homens que são benignos fora de casa, mas tiranos domésticos, que fazem a família e os subordinados suportarem o peso do seu orgulho e do seu despotismo, como para compensar o constrangimento a que se submetem lá fora. Não ousando impor sua autoridade aos estranhos, que os colocariam no seu lugar, querem pelo menos ser temidos pelos que não podem resistir-lhes. Sua vaidade se satisfaz com o poderem dizer: “Aqui eu mando e sou obedecido”, sem pensar que poderiam acrescentar, com mais razão: “E sou detestado”.
            Não basta que os lábios destilem leite e mel, pois se o coração nada tem com isso, trata-se de hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas, jamais se desmente. É o mesmo para o mundo ou na intimidade, e sabe que se podem enganar os homens pelas aparências, não podem enganar a Deus. O Evangelho Segundo o Espiritismo
por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires






Neio Lúcio

Comentavam os aprendizes que a verdade constitui dever primordial, acima de todas as obrigações comuns, quando Filipe afiançou que, a pretexto de cultuar-se a realidade, ninguém deveria aniquilar a consolação.
E talvez por reportar-se André à franqueza com que o Mestre atendia aos mais variados problemas da vida, o Senhor tomou a palavra e contou, atencioso: — Devotado chefe de família que lutava com bravura por amealhar recursos com que pudesse sustentar o barco doméstico, depois de desfrutar vasto período de fartura, viu-se pobre e abandonado pelos melhores amigos, de uma semana para outra, em virtude de enorme desastre comercial.
O infeliz não soube suportar o golpe que o mundo lhe vibrava no espírito e morreu, após alguns dias, ralado por inomináveis dissabores.
Entregue a si mesma, ao pé de seis filhos jovens, a valorosa viúva enxugou o pranto e reuniu os rebentos, ao redor de velha mesa que lhes restava, e verificou que os moços amargurados pareciam absolutamente vencidos pela tristeza e pelo desânimo.
Cercada de tantas lamentações e lágrimas, a senhora meditou, meditou... e, em seguida, dirigiu-se ao interior, de onde voltou sobraçando pequena caixa de madeira, cuidadosamente cerrada, e falou aos rapazes com segurança: — “Meus filhos, não nos achamos em tamanha miserabilidade.
Neste cofre possuímos valioso tesouro que a previdência paternal lhes deixou.
É fortuna capaz de fazer a nossa felicidade geral; entretanto, os maiores depósitos do mundo desaparecem quando não se alimentam nas fontes do trabalho honesto e produtivo.
Em verdade, o nosso ausente, quando desceu ao repouso, nos empenhou em dívidas pesadas; todavia, não será justo o esforço pelas resgatar com a preservação de nosso precioso legado? Aproveitemos o tempo, melhorando a própria sorte e, se concordam comigo, abriremos a caixa, mais tarde, a menos que as exigências do pão se façam insuperáveis.” Belo sorriso de alegria e reconforto apareceu no semblante de todos.
Ninguém discordou da sugestão materna.
No dia seguinte, os seis jovens atacaram corajosamente o serviço da terra.
Valendo-se de grande gleba alugada, plantaram o trigo, com imenso desvelo, em valoroso trabalho de colaboração e, com tanto devotamento se portaram que, findos seis anos, os débitos da família se achavam liquidados, enorme propriedade rural fora adquirida e o nome do pai coroado, de novo, pela honra justa e pela fortuna próspera.
Quando já haviam superado de muito os bens perdidos pelo pai, reuniram-se, certa noite, com a genitora, a fim de conhecerem o legado intacto.
A velhinha trouxe o cofre, com inexcedível carinho, sorriu satisfeita e abriu-o sem grande esforço.
Com assombro dos filhos, porém, dentro do estojo encontraram somente velho pergaminho com as belas palavras de Salomão: — “O filho sábio alegra seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe.
Os tesouros da impiedade de nada aproveitam; contudo, a justiça livra-nos da morte no mal.
O Senhor não deixa com fome a alma do justo; entretanto, recusa a fazenda dos ímpios.
Aquele que trabalha com mão enganosa, empobrece; todavia, a mão dos diligentes enriquece para sempre”.
Entreolharam-se os rapazes com júbilo indizível e agradeceram a inolvidável lição que o carinho materno lhes havia doado.
Silenciou o Mestre, sob a expressão de contentamento e curiosidade dos discípulos e, finda a ligeira pausa, terminou, sentencioso: — Quem classificaria de enganadora e mentirosa essa grande mulher? Seja o nosso falar “sim, sim” e “não, não” nos lances graves da vida, mas nunca espezinhemos a bênção do estímulo nas lutas edificantes de cada dia.
O grelo tenro é a promessa do fruto.
A pretexto de acender a luz da verdade, que ninguém destrua a candeia da esperança.

Do Livro Jesus no Lar  - Francisco C. Xavier




Juízo Final - Nelson Cavaquinho


O sol há de brilhar há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente

É o juízo final
A história do bem e do mal
Quero ter olhos pra ver
A maldade desaparecer

Compositor: Nelson Cavaquinho


Renato Russo - Juízo Final (raridade):





sexta-feira, 29 de abril de 2016

Janaína Paschoal COMPLETO


Janaína Paschoal COMPLETO defende o impeachment de Dilma Rousseff no senado 28/04/2016



As armas e os pilares assinalados,

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
Canto I, Os Lusíadas Luís de Camões

      

   
Da Redação | 29/04/2016, 01h19 - ATUALIZADO EM 29/04/2016, 11h23

Janaína descreveu o que classificou como os três pilares que sustentam o pedido: o escândalo do petrolão, revelado a partir das investigações da Operação Lava Jato, as chamadas pedaladas fiscais e a edição de decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso.






Os juristas Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal explicaram à Comissão Especial do Impeachment nesta quinta-feira (28) os argumentos que usaram para fundamentar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A reunião da comissão durou 9 horas entre apresentação dos denunciantes e questionamentos dos senadores.
Janaína Paschoal foi a responsável por defender os principais pontos do pedido de impeachment. Miguel Reale precisou sair logo após sua apresentação, e Hélio Bicudo, que também assina o pedido, não compareceu por razões médicas.
Em sua explanação, repetindo sempre que era preciso explicar de forma clara o pedido de impeachment para que o “povo” pudesse entendê-lo, Janaína descreveu o que classificou como os três pilares que sustentam o pedido: o escândalo do petrolão, revelado a partir das investigações da Operação Lava Jato, as chamadas pedaladas fiscais e a edição de decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso.
Ela sugeriu aos senadores que não se orientem apenas pelo relatório da Câmara dos Deputados — restrito às pedaladas e aos decretos presidenciais — mas que, ao julgar o pedido de impedimento, “se debrucem sobre toda a peça”.
Sobre as pedaladas fiscais, Janaína afirmou que o governo pediu ao Banco do Brasil e BNDES que adiantassem com seus próprios recursos os pagamentos do Plano Safra e do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), numa movimentação financeira conhecida como operação de crédito por antecipação. Ela destacou que a legislação brasileira proíbe esse tipo de operação do governo com bancos públicos e também com bancos privados em anos eleitorais. A professora de Direito reforçou ainda que o governo não registrou contabilmente as operações, o que revelaria o conhecimento de que o ato era ilícito.
Já sobre os decretos, Janaína e Reale Júnior afirmaram que a Constituição condiciona a edição dos decretos de crédito suplementar à aprovação pelo Poder Legislativo, além da necessidade de se adequar ao resultado da meta de superávit anual. Para os juristas, houve dolo por parte da presidente, pois ao editar os decretos, em julho e agosto de 2015, ela já sabia que a meta não seria alcançada, já tendo, inclusive, enviado ao Congresso Nacional proposição rebaixando as metas.
— Cada um desses pilares da denúncia tem crime de sobra de responsabilidade e tem crime comum de sobra — garantiu Janaína, que negou o caráter partidário do pedido de impeachment, assegurando não ter vínculos com o PSDB nem pretensões eleitorais.
Reale Júnior, por sua vez, comparou o governo do PT a uma “ditadura da propina”, sem limites no uso da administração pública para um projeto de poder. Na avaliação do jurista, é possível perceber no governo uma “irresponsabilidade gravíssima” na condução das finanças públicas.
— Nunca vi crime com tamanha impressão digital — finalizou.
Questionamentos
A base de apoio ao governo criticou os argumentos apresentados pelos juristas e acusou de “políticas” as denúncias contra a presidente Dilma. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o pedido de impeachment tem erros “básicos e conceituais”. Segundo ele, não haveria dolo por parte da presidente nas pedaladas fiscais, uma vez que ela não teria assinado nenhum ato na operação financeira envolvendo o Plano Safra — gerido diretamente pelos ministérios e pelos bancos.
Já o senador Humberto Costa (PT-PE) apontou como frágeis as acusações contra a presidente Dilma e como meramente político o pedido de impeachment.
— Quem tem de tirar ou colocar presidente é o povo brasileiro. Vossa Senhoria está defendendo isso aqui porque o povo não quis que nossos adversários fossem eleitos e eles não se conformam — reclamou.
O líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), ressaltou que o pedido de impeachment nasceu de um parecer encomendado pelo PSDB, pelo qual Janaína Paschoal teria recebido R$ 45 mil.
A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) também desconsiderou a exposição dos juristas, que definiu como “inconsistente, politicamente contraditória, confusa e sem sustentação jurídica nenhuma”. A senadora acusou Janaína de expor o Senado e o povo brasileiro “ao ridículo”.
Elogios
Janaína e Reale Júnior foram defendidos pelos senadores de oposição, que disseram ter ficado claras as justificativas para o afastamento da presidente. O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) cumprimentou Janaína pelo conteúdo, conhecimento jurídico e profundidade com que debateu o tema na comissão e afirmou que a jurista trouxe dados claros para todos os senadores.
— Eu quero aplaudi-la pela coragem de poder enfrentar todo esse patrulhamento que vem sofrendo no decorrer desses meses, porque assumiu uma posição extremamente corajosa. Peço que desconsidere os excessos e as agressões de que foi vítima, já que, ao não terem argumentos para contraditá-la, partem para um ataque grosseiro, rasteiro — observou.
Para o senador José Medeiros (PSD-MT), os argumentos de defesa da presidente foram desmontados pelos juristas, que deixaram claro que as pedaladas foram operações de crédito feitas pelo governo e que os decretos foram editados no momento em que não se poderia fazê-los. Medeiros disse ter ficado convencido do crime de responsabilidade.
A senadora Simone Tebet (PMDB-MS) também defendeu a professora de Direito, afirmando ter visto em Janaína “sinceridade, transparência, idealismo e espírito de brasilidade”.
— Eu acho engraçado que aqueles que falam em defesa da democracia não falaram que foi golpe o impeachment do ex-presidente Collor. Aliás, eles o provocaram. Nem que foram golpe as inúmeras tentativas de impeachment contra Itamar [Franco] e contra Fernando Henrique Cardoso — reclamou.
Manifestações
Ao iniciar suas explicações, Reale Júnior fez um desagravo aos familiares dos que morreram nas mãos do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015). Ele disse lamentar que o pedido de impeachment tenha servido para “uma homenagem a um torturador”, em referência à citação do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante seu voto pela abertura do processo na Câmara dos Deputados, no dia 17 de abril.
Relator da comissão, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) agradeceu as informações dos juristas. Ele destacou que as explicações dadas na reunião comprovaram a tese de que o processo por crime de responsabilidade não é um processo judicial, mas, apesar de assegurar a ampla defesa e o contraditório, possui “marcante conotação política”.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)



Para que e para quem olhas?

Os Pilares da Terra - 1, 2, 3 e 4


Enviado em 11 de ago de 2011
Este pack com 4 discos, baseado no Best Seller Os Pilares da Terra, é um arrebatador épico sobre o bem e o mal, traição e intriga, violência e beleza. A apaixonante história tem como pano de fundo guerras, conflitos religiosos e a luta pelo poder. Durante esse período, é construída uma magnífica catedral em Kingsbridge, na Inglaterra.  As histórias de amor e guerra entre diferentes personagens se misturam às turbulências políticas da Inglaterra do século XII, criando um mundo relevante e atual para muitas gerações.

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"Esse é o país do football..."


Comissão Impeachment Senado - Senador Magno Malta Vs Janaína Paschoal - 28/04/2016


“... Pimenta no olho do outro é refresco.”







quinta-feira, 28 de abril de 2016

"Disputando na bola ...

... com a cara aberta, qualquer tipo de jogada." Romero Jucá

17:54 Lava Jato no Roda Viva:

Primeiro dizer o seguinte. Eu já disse isso diversas vezes, o presidente Michel também. O PMDB apoia a Operação Lava Jato. Apoia as investigações, e quero dizer mais: acho que a Operação Jato é um benefício ao país. Mudou o paradigma da relação política partidos políticos, candidatos e empresas. Você tem uma regra antes que empresas doavam, isso não era criminalizado, portanto era legítimo e a partir da Operação Lava Jato e da reforma eleitoral, que eu apoiei, que eu emendei, e que eu tirei a doação de empresas no Senado por uma emenda minha, nós mudamos o paradigma dessa relação, primeira coisa. Portanto o PMDB apoia as investigações.

18:40 Diferença entre o PT para o PMDB, para Jucá, no Roda Viva:
Segundo, qual a diferença entre o PT para o PMDB? O PT está na Operação Lava Jato com CNPJ do Partido. Tesoureiros presos, pessoas indiciadas, presas, condenadas. O PMDB foi mencionado. Algumas pessoas do PMDB que devem ser investigadas. Eu acho que numa democracia ninguém tá acima das investigações. Não há nenhuma ilegitimidade, nenhum demérito em ser investigado. O demérito é ser condenado. Então alguém citou o meu nome. Eu recebi doação? Eu pessoalmente recebi doação? Não! Eu sempre tive o cuidado como candidato, pessoa física, de não receber dinheiro de empresas. O partido recebeu dinheiro e passou pra minha candidatura? Passou. É legítimo? É legítimo. É legal? É legal. Todas as prestações de contas minha foram aprovadas pelo TER e pelo TSE? Foram. Então eu estou à disposição. Eu cobro do ministério público a rapidez na investigação  porque não é possível nomear todo mundo, tem uma nuvem negra pairando sobre toda a classe política do Brasil e o ministério público não separar o joio do trigo e dizer quem tem culpa e quem não tem culpa. Então o PMDB não está como partido sendo investigado. Pessoas do PMDB que receberam doação foram citadas, devem esclarecer. Se algum tiver culpa será condenado, sai da vida pública. Se não tiver culpa, que se diga que não tem culpa e jogo continua. Eu da minha parte não tenho nenhum temor. Aceitei ser presidente do PMDB. Assumi esse ônus, assumi a briga, se eu tivesse algum medo eu tava me escondendo numa hora dessas. Num to me escondendo. Com a cara aberta disputando na bola qualquer tipo de jogada.


Roda Viva | Romero Jucá | 25/05/2016


No auge de seu poder político, Dr. Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas, concorreu diretamente, e perdeu, sua única disputa para um cargo executivo, em 15 de novembro de 1989.

Havia completado 73 anos em 6 de outubro daquele ano.

Em 2016 completaria 100 anos.

Talvez emplaque no seu centenário mais um presidente da República. Ainda não vai ser diretamente, talvez.

Não conseguiu empossar seu amigo e correligionário de uma vida, Tancredo Neves, em 1985, mesmo indiretamente, contentou-se com o vice Sarney, pelo PMDB, agora.

Teve participação relevante em todas as sucessões presidenciais do Brasil desde que se meteu na política, ainda na juventude.

Segue influenciando o processo desde o fundo do mar de Angra dos Reis.

Viva o Rei da República.




VÍDEO HISTÓRICO IMPERDÍVEL: o Dr. Ulysses em pleno apogeu no "Roda Viva", em 1986

“Política não se faz com ódio, pois não é função hepática. É filha da consciência, irmã do caráter, hóspede do coração. Eventualmente, pode até ser açoitada pela mesma cólera com que Jesus Cristo, o político da Paz e da Justiça, expulsou os vendilhões do Templo. Nunca com a raiva dos invejosos, maledicentes, frustrados ou ressentidos. Sejamos fiéis ao evangelho de Santo Agostinho: ódio ao pecado, amor ao pecador. Quem não se interessa pela política, não se interessa pela vida.”
Ulysses Guimarães
4 de março de 1985





IDENTIKIT E DADOS PESSOAIS
Nome
Ulysses
Apelido
Guimarães
Nascido
6 Outubro 1916
Falecido
12 Outubro 1992
Gênero
masculino
Nacionalidade
brasileira
Profissão
políticoadvogado
Signo do zodíaco
Libra







Reeleito para a Câmara em 1966 e 1970, em fevereiro de 1971 assumiu a presidência do MDB. Em 1973, foi lançado "anticandidato" à presidência da República, disputada no Colégio Eleitoral, tornando-se então um símbolo de resistência ao regime militar. A eleição indireta, realizada em 15 de janeiro de 1974, deu a vitória, conforme o previsto, à chapa governista, encabeçada pelo general Ernesto Geisel. 

Em agosto de 1978, o MDB aprovou os nomes do general Euler Bentes e do senador Paulo Brossard para disputarem a presidência e a vice-presidência da República por via indireta. Ulysses Guimarães designou uma comissão executiva para organizar a campanha dos candidatos, mas não participou diretamente dela. Reunido em 15 de outubro, o Colégio Eleitoral elegeu a chapa governista formada pelo general João Figueiredo e por Aureliano Chaves. Em novembro, Ulysses voltou a eleger-se para a Câmara.

Em março de 1979, o general Figueiredo tomou posse na presidência. Nesse ano, duas importantes medidas foram tomadas: a decretação da anistia, em agosto, e a extinção dos partidos políticos, em novembro. No quadro da reformulação partidária que então se abria, a maioria do antigo MDB ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sendo Ulysses Guimarães eleito seu presidente.

Apelidado pela imprensa de "o Senhor Diretas", Ulysses participou intensamente dos comícios que ocorriam em todo o país. No Congresso, estava em discussão uma emenda constitucional, apresentada pelo deputado Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para a presidência e convocava a primeira eleição para 15 de novembro de 1984. Porém, no dia 25 de abril, a emenda não foi aprovada. A oposição, mesmo dividida, decidiu participar das eleições indiretas, no Colégio Eleitoral, escolhendo Tancredo Neves, governador de Minas Gerais, seu candidato.

Apelidado pela imprensa de "o Senhor Diretas", Ulysses participou intensamente dos comícios que ocorriam em todo o país. No Congresso, estava em discussão uma emenda constitucional, apresentada pelo deputado Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para a presidência e convocava a primeira eleição para 15 de novembro de 1984. Porém, no dia 25 de abril, a emenda não foi aprovada. A oposição, mesmo dividida, decidiu participar das eleições indiretas, no Colégio Eleitoral, escolhendo Tancredo Neves, governador de Minas Gerais, seu candidato.

A posse de Tancredo Neves estava marcada para o dia 15 de março. Na noite de 14 de março, contudo, foi internado às pressas num hospital de Brasília. Sarney foi empossado interinamente na presidência, mas o homem forte era Ulysses Guimarães. Além de ocupar a presidência da Câmara dos Deputados, assumida em fevereiro, e a do PMDB, partido que detinha 80% dos ministérios e a maioria dos parlamentares, por ser o presidente da Câmara era o substituto legal de Sarney. No dia 21 de abril, Tancredo Neves morreu e Sarney foi efetivado na presidência.

Em fevereiro de 1986, o governo lançou um plano econômico, o Plano Cruzado, cujo objetivo era, através do congelamento de preços e salários, reduzir a inflação. Em decorrência do sucesso inicial do Plano Cruzado, Sarney atingiu altos índices de popularidade. Em março, Ulysses foi reeleito presidente do PMDB. Disputando, pela décima vez, uma cadeira de deputado federal por São Paulo, percorreu o país fazendo campanha dos candidatos do partido aos governos estaduais. Em novembro, o PMDB conseguiu eleger todos os governadores, à exceção do de Sergipe. Ulysses, com 590.873 votos, foi o segundo deputado federal mais votado do país. No dia 21 de novembro, o governo anunciou que o Plano Cruzado teria que sofrer alguns ajustes. Em conseqüência, as tarifas públicas aumentaram e a inflação disparou. Diante da crise interna do PMDB, Ulysses precisou buscar apoio fora do partido para garantir sua reeleição para a presidência da Câmara em 3 de março. Neste mesmo dia, foi eleito presidente da Assembléia Nacional Constituinte (ANC). Passou então a acumular a presidência do PMDB, da Câmara dos Deputados e da Constituinte.

A ANC foi instalada no dia 1º de fevereiro de 1987. Em maio, Ulysses começou a defender a proposta de mandato de cinco anos para o presidente da República, ponto de vista defendido por Sarney. A posição adotada por Ulysses, acusado de cumplicidade com o presidente, contribuía para acentuar a crise no PMDB. Em junho de 1988, diversos peemedebistas deixaram o partido e criaram o Partido da Social Democracia Brasileira. No dia 5 de outubro, a nova Constituição foi promulgada.

As eleições presidenciais estavam marcadas para 15 de novembro de 1989. Em abril, Ulysses foi escolhido candidato do PMDB, mas na prática uma parcela significativa do partido não participou de sua campanha. Mesmo dispondo de 22 minutos diários de programa eleitoral na mídia, Ulysses obteve apenas 4,43% dos votos. No segundo turno, realizado em dezembro, Fernando Collor de Melo derrotou Luís Inácio Lula da Silva e elegeu-se presidente. Em outubro de 1990, Ulysses foi reeleito deputado federal, recebendo contudo menos de um décimo dos votos alcançados em 1986. Em março de 1991, Orestes Quércia o substituiu na presidência do PMDB.

A recuperação política de Ulysses ocorreu em meados de 1992, durante o processo de afastamento do presidente Collor. No dia 9 de maio, a revista Veja publicou sérias denúncias do empresário Pedro Collor contra o irmão-presidente. Mesmo após a instalação da CPI, Ulysses não via com bons olhos a proposta de impeachment. Porém, com a evidência dos fatos e a adesão popular, mudou de posição e seu gabinete transformou-se no quartel-general da CPI. Ciente de que a vitória do impeachment no Congresso seria mais fácil se a votação não fosse secreta, trabalhou para a adoção do voto aberto, afinal aprovado. Em 29 de setembro, por grande maioria, Collor foi declarado impedido de continuar na presidência, sendo substituído pelo vice Itamar Franco.

Ulysses Guimarães desapareceu em 12 de outubro de 1992, em um acidente de helicóptero no litoral do Rio de Janeiro. Seu corpo não foi encontrado, mas a morte foi oficialmente reconhecida.

Era casado com Ida de Almeida.

Seu arquivo encontra-se depositado no Cpdoc da Fundação Getulio Vargas.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]


Fernando Henrique Cardoso, Ciências Sociais, José Serra, Ciências Econômicas e Sociais, e Michel Temer, Ciências Jurídicas e Políticas, desde o antigo MDB, eram os intelectuais orgânicos do Dr. Ulysses Guimarães.

As dificuldades dos ex-presidentes Tancredo Neves e José Sarney em engoli-los, digeri-los e absorvê-los ficaram patentes em suas exclusões no ministério formado por Tancredo e mantido, inicialmente, por seu vice Sarney, com a morte do presidente eleito pelo Colégio Eleitoral quando a emenda Dante de Oliveira das Diretas Já fora a pique.
     
Dr. Ulysses foi, inicialmente, o garantidor e tutor de um neopeemedebista que até a véspera carregava o piano da ditadura nas lides parlamentares e seria o menos aceito para vice da Aliança Democrática pelos peemedebistas do Dr. Ulysses.

Com pragmatismo, Dr. Tancredo pegou um limão e fez uma deliciosa limonada. Morto Neves, seu vice Ribamar mostrou ser ótimo aluno da nova escola peessedebista, ele que sempre arribou nas hostes udenistas. E confinou Ulysses e seus meninos no congresso nacional, garantindo-lhes inicialmente visibilidade e ostentação de poder, administrando-o cercado com os Dorneles da velha Arena e quejandos.

Fernando Henrique, José Serra e Michel Temer aproveitaram o sereno para uma pós-graduação com o mestre nas lides da real política, para depois, com exceção de Michel Temer, descartar o velhinho candidato à Presidência da República que de mão beijada ou forçada tivera que ceder inicialmente ao velho amigo Tancredo na eleição indireta pelo Colégio Eleitoral e, com sua passagem precoce do poder, ao seu sucessor legal. Talvez para os discípulos legalidade não se confundisse com legitimidade.

E foram à luta. O mais atrevido foi presidente da República duas vezes violando grande parte dos ensinamentos do mestre para quem redigiu dois programas para sua legenda. Serra ficou no meio do caminho, por lidar agora com um aliado que o conhecia por dentro e por fora. Michel, da troika, foi o mais leal ao mestre. Conservou inclusive a mesma dicção de voz e similar aristocracia no trato interpessoal do pai político e mentor.

Se Temer chegar lá, agora, Ulysses Guimarães estará subindo a rampa do Planalto e com ele o velho MDB de Guerra e Paz. Cardoso estará dubiamente crítico de Temer como sempre esteve com o mestre e fiador junto aos políticos profissionais. Serra vai continuar recebendo o carinho e a atenção que sempre lhe foi dispensada pelo Velho, não abrindo a guarda com suas limitações e sensos de oportunidade, se assim pudermos nomear suas idiossincrasias.

Presidente Michel Miguel Elias Ulysses Lulia Guimarães.

“Lulia, com a base do i em branco e, ao invés de um pingo, três pingos no i: um verde, outro amarelo e o terceiro azul. O logotipo da presidência da República Federativa do Brasil para os próximos anos já está encaminhado!”

No papel de parede, vermelho e preto, da bandeira do velho MDB, seu sucessor PMDB e da torcida do Flamengo.


Apêndice

Intelectuais que também contribuíram com o velho MDB foram homenageados em seminário que discute Carlos Nelson Coutinho.


Quinta, 14 Novembro 2013 22:35

Da Redação





Audiência: auditório Pedro Calmon lotado acompanha conferência de José Paulo Netto, à esquerda, observado por Francisco Louçã (economista português do Bloco de Esquerda) à direita, e Luis Acosta, mediador da sessão. Foto: Marco Fernandes - 13/11/2013

‘Carlos Nelson Coutinho é autor de um ensaio que sacudiu o pensamento da esquerda brasileira, “A democracia como valor universal”, de 1979’ ‘... e que punha a centralidade da democracia como caminho decisivo para o socialismo.’

‘A “práxis” foi outro ponto destacado nos debates, e não por acaso: um traço marcante na vida de Carlos Nelson é que ele era um intelectual orgânico, que se servia do conhecimento para pensar a luta revolucionária e que buscou em formas partidárias o caminho para se colocar no dia a dia do enfrentamento político. ’

Carlos Nelson Coutinho, que morreu em 2012, traduziu mais de 60 livros, é a principal referência no país quando o assunto é Antônio Gramsci, quando jovem trocou correspondência com Georg Lukács, fez estudos sobre Lima Barreto e Graciliano Ramos e é autor de um ensaio que sacudiu o pensamento da esquerda brasileira, “A democracia como valor universal”, de 1979. Durante três dias, um seminário internacional tentou interpretar os pontos centrais da obra desse intelectual marxista identificado como um reformador revolucionário, e que punha a centralidade da democracia como caminho decisivo para o socialismo.

A jornada de conferências e debates, com a participação de convidados internacionais, discutiu os esquemas teóricos do autor. O resultado foi um vasto painel que refletiu sobre as estratégias para o socialismo, a renovação do marxismo e a realidade brasileira. É claro que a “matriz gramsciana” e os conceitos nela contidos, estiveram presentes, mas como ponto de partida para se expor a complicada equação que move a luta de classes, a hegemonia capitalista e como enfrentá-las na prática. A “práxis” foi outro ponto destacado nos debates, e não por acaso: um traço marcante na vida de Carlos Nelson é que ele era um intelectual orgânico, que se servia do conhecimento para pensar a luta revolucionária e que buscou em formas partidárias o caminho para se colocar no dia a dia do enfrentamento político.

Eurocomunismo

Guido Liguori, diretor da Sociedade Internacional Antônio Gramsci, dividiu a mesa de abertura do seminário na segunda-feira (11) com Michael Löwi, do Centre National de la Recherche Scientifique. Liguori recuperou a trajetória de Carlos Nelson na Itália e reproduziu os primeiros contatos do professor com a obra de Gramsci, a influência que o eucomunismo e o pensamento Enrico Berlinguer passou a ter na obra do autor brasileiro. Carlos Nelson traduziu e editou a obra de Gramsci no Brasil, além de produzir vários ensaios sobre o revolucionário  pensador italiano.

 Löwy, um professor marxista brasileiro que vive na França desde a década de 1960, relembrou dos encontros com Carlos Nelson e também referiu-se ao texto do brasileiro sobre o valor universal da democracia. A diferença na abordagem de Michael Löwy é que ele identificou influências de Rosa Luxemburgo no polêmico texto. “Acho que se Carlos Nelson estivesse aqui, ele negaria essa influência. Mas ela existe”, defendeu Löwy, que também destacou o interesse de Carlos Nelson por Georg Lukács, apesar das diferenças entre Lukács e Gramsci.

Adufrj-SSind na abertura





Professora Cleusa dos Santos. Foto: Marco Fernandes - 13/11/2013

A dirigente da Adufrj-SSind também salientou a contribuição de Carlos Nelson para se pensar o papel de partidos e sindicatos na mediação de conflitos e interesses e invocou a experiência da Adufrj-SSind na luta em defesa dos trabalhadores e de bandeiras específicas da categoria a qual representa.

A professora Cleusa dos Santos, 2ª vice-presidente da Adufrj-SSind, representou a Seção Sindical na abertura do seminário. Ao lado das instituições que apoiaram a realização do evento organizado pela Escola de Serviço Social da UFRJ, Cleusa destacou “o legado da obra de Carlos Nelson para a reflexão sobre a transformação da sociedade brasileira e capitalista”. A dirigente da Adufrj-SSind também salientou a contribuição de Carlos Nelson para se pensar o papel de partidos e sindicatos na mediação de conflitos e interesses e invocou a experiência da Adufrj-SSind na luta em defesa dos trabalhadores e de bandeiras específicas da categoria a qual representa. Citou a briga do Andes-SN contra a precarização do trabalho docente, a resistência às tentativas de mercantilizar a saúde, por meio da Ebserh, a denúncia contra o projeto que privatiza a previdência e a defesa da educação pública.

Homenagens. O seminário foi encerrado com uma homenagem a Carlos Nelson Coutinho e ao professor Aloísio Teixeira, amigo de Carlos Nelson e ex-reitor da UFRJ, que também morreu em 2012. Andréa Teixeira, viúva de Carlos Nelson, e dona Iracema Teixeira, mãe de Aloísio, receberam flores. As homenagens foram precedidas de uma manifestação de membros do MST que acompanharam os debates.